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31.1.14

Quando da religião


            A que se deve este momento “universal” onde, com exceção de onde ainda há o tribal, o mundo passe a pensar e agir segundo certas características. Numa conexão de ciência, filosofia, arte, tecnologia, moda e cultura em geral para a tendência deste pensamento temporal, se partindo deste para os elementos, ou dos elementos para o pensamento, esta correlação é evidente, mas a origem que deve em cada período ter suas particularidades, chegamos a pós-modernidade e agora nos importa decifrar este código de transição.
            Vou dar uma abertura agora a religião, que permeia corriqueiramente este estudo, mas aqui atento a outra característica da ligação dos humanos com Deus. Se a única regra para a salvação é a fé, as mudanças das eras envolvem julgamentos que ao se infiltrarem às mentalidades das pessoas de qualquer época, evocam nelas outros atributos que são interfaces de julgamento não Universal, mas temporal e outras que são espaciais, fazendo juízo por fazer sentido àqueles em determinado tempo e lugar, porém, a religião, ou as religiões, quando todas elas criadas pelas criaturas, para se valerem como reais e terem credibilidade, devem ser estáticas, sendo estáticas perdem completamente o valor quando o novo pensamento surge na historia da humanidade.
            Aqueles que pretendem ainda hoje estarem filiados a qualquer uma que leve algum nome, tende a ser irrelevante no pensamento pós-moderno, onde restrições e regras de fé suspeitas tendem a serem deixadas de lado; o grande veiculo para isso é a informação e a utilidade agregada a este meio que deve atrelar verdade na funcionalidade. Quando as religiões trazem símbolos e objetos sem valor realmente espiritual, já não importa ao pós-moderno. Geralmente os símbolos religiosos são criados a partir do natural, da visão humana que tenta transcender, mas não consegue. Até meados do século XX estes símbolos eram aceitos como que pela necessidade que havia até então de aceitá-los, agora, porém, já não há esta necessidade, pois o mundo fornece tudo de forma tão ativa e eficaz que a religião habita no novo pensar como a saída, como o descanso, como a ausência, onde o individuo se chega ao seu Deus com os símbolos que apenas significam esta transcendência, apenas com o que significa e dá valor a conexão do ser embrenhado a matéria, parte do cosmo, com seu entender metafísico, mesmo que isto não seja claro, e nem creio que deva ser, pois a religião nunca foi clara.

Diego Marcell

04-06-11

28.1.14

O novo lugar dos religiosos no novo pensamento social


Os religiosos, até agora, tem buscado entender a natureza; mas o que importa não é entender, mas transformar. (Rubem Alves)

            O pensamento religioso se fará cada vez menos respeitoso se ele continuar com esta mentalidade que julga pela crença, pelo metafísico o físico, quando qualquer juizado deve estar no âmbito do pratico, do real, do coerente. O que seria correto numa analise simplesmente superficial e utópica, de que os religiosos teriam em si a verdade pratica através de certa iluminação para aplicá-la na sociedade, sendo assim em culturas antigas acrescida por profetas e sacerdotes, porém numa cultura multifacetada pela globalização e pela renovação do pensamento universal, onde religiosos se colocam a parte, como que em santuários estáticos em um mundo em movimento, isto já não funciona, pois os mesmos não conseguem identificação com a massa e já não acompanham a plurificação da “nova verdade”, em breve estes religiosos serão considerados os esclerosados, sendo afastados cada vez mais do meio, ficando restritos a um hospício virtual onde o que se faz e o que se diz é considerado “respeitosamente” síndrome de uma doença, de demência, e sujeitos a sofrerem maus tratos de partes mais radicais e menos sociáveis da humanidade, sendo que estes numa avaliação geral, não ficariam muito distantes daqueles que são “zombados”, zombados e zombadores que em pouco tempo acabariam por dividir o mesmo quarto branco numa sociedade cada vez mais rígida em assuntos antigos e mais aberta ao pluralismo da novidade, sem necessariamente ter capacidade de julgar as qualidades envoltas nas pautas da moda.
            O que antropólogos, sociólogos, teólogos e filósofos devem fazer é esta ponte coerente dentro da civilização que jamais na historia pode se segurar por sua própria vontade, por ser a mesma, corruptível.
            Para ser ouvido e aceito sem ser opositor, estes instrumentos da intelectualidade devem trazer em si, realmente, a verdade, a coerência, estes dois fatores trazem em seus argumentos força suficiente para gerar reflexão naqueles que possuem ideologias infundadas, ou em fundamentalistas e radicais de qualquer movimento que aí se encontra ou que venha a surgir. Se os pensadores, porém, querendo fácil aceitação ou por se identificarem exageradamente com algumas destas causas, os mesmos estarão negando seus papeis e matando suas funções em nome da irracionalidade; prejudicando a sociedade e envergonhando a classe.
            A religião ao mesmo tempo que sua forma generalizada adentrou o homem/mulher pós-moderno, os religiosos estagnaram, foi isto que aconteceu na transição da idade média para a moderna e volta a acontecer pela falta de leitura destes dos símbolos atuais, é preciso continuar pensando com o pensamento da Era, é preciso continuar criando, enquanto há inovação a ser feita que é enquanto houver novas formas de pensar.

Diego Marcell

11-05-11

12.3.13

Teologia do cotidiano



            O teólogo do século XXI tem que assumir-se como o pensador para o mundo, como o antropólogo, como o humanista.
            O teólogo a partir de agora deve ser o equilíbrio entre a ciência e o povo, tem que ser o porta-voz da realidade, tem que ser a razão e o espírito desta transição de Era.
            O teólogo tem que trabalhar para o mundo atual com fôlego novo em ar extremamente poluído, fazendo Deus ser ouvido em meio as buzinas do excesso.
            O teólogo tem que ser não mais o acadêmico somente, mas deve ser aquele que caminha na rua com o desconhecido, aquele que planta com o agricultor, aquele que evangeliza os pobres junto aos missionários.
            Teologia num mundo relativo deve ser praticada por teólogos centrados que na maleabilidade pós-moderna podem ser ouvidos como balsamo esperado por todos.
            Num mundo de celebridades, ele deve ser na mídia a voz sensata para os dilemas existenciais.
            Ele deve ter a espiritualidade pura, sendo razão e mística na mesma pessoa.

Diego Marcell
29-12-10

Religião do cotidiano



            Ao invés de misturar drogas a sacralidade do ego religioso para obter alguma iluminação, ou fazer jejum para virar anjo e sobrepor o mundo físico numa salvação sem corpo físico, mas de alma caída, que como diria Lobão “só interessa aos assassinos e aos santos”; oposto a isso minha religião é mais humana e portanto mais divina, a exemplo do humano que demasiadamente viveu permanente neste mundo a ponto de ser o mais divino em 33 anos de existência física, minha liturgia, portanto, a exemplo biofísico e químico é na rua, entre outros diferentes e semelhantes, cultuando a diversidade não oposta da vida.
            Meu ritual não é na sexta, meu descanso não é sabático, meu culto não é domingo, minha religião é relação cotidiana, integral pela proposta metafísica que tenta nos seres o encontro holístico da felicidade harmônica sentimental e intelectual através do conhecimento, e para o filosofo, conhecimento é Verdade.
            O Deus que habita nesta religião é o Deus da liberdade, não é enquadrado nos esquemas religiosos históricos, é o Deus que faz nascer o sol e cair a chuva sobre bons e maus, no rico que esqueceu o guarda-chuva e no e no pobre que perdeu a vaga na marquise, este Deus habita no meio dos ignorantes, assim como entre aqueles que o percebem, pois está sobre a face do abismo, assim como se manifesta como estrela da manhã.

Diego Marcell
23-03-12

3.10.12

Concepções pós-modernas da teologia e dos erros humanos




            O ser humano possui uma necessidade fundamental de tudo institucionalizar, fazia menos de meio século da ascensão de Cristo e se percebe claramente a distinção do ato de ser igreja atuante pela formação humana daqueles livres ensinos do seu mestre. Em pouquíssimo tempo o ar institucional, o ritual já é enquadrado em formas que tendem a ficar cada vez mais fixas, é o aparecimento de mais uma religião no mundo, sai do porte transcendental de Religião em Deus que se materializa em homem e mensagem e tem atuação intrínseca, para seguir agora o cristianismo dos apóstolos e logo depois dos padres. A igreja já não é a reunião do povo de Deus, mas é agora um órgão material e depois se tornará sinônimo de religião e até de templo.
            Paulo foi se influenciar por Platão, já Santo Agostinho foi receber em sua alma defeituosa as palavras de Paulo que iriam causar-lhe mutações decorrentes de seu estado mal resolvido, este já em conflito com a vida iria pecaminizar o mundo e ali encontrar sentido para seus problemas, culpando a vida e generalizando seu conceito experiencial-particular para o mundo (humanidade), a já cada vez mais institucionalizada igreja iria se influenciar grandemente mais pelo bispo a ponto de influenciar todo seu tempo e território de atuação.
            Muita coisa acontecera, séculos se passaram, reformas surgiram, mas o sentimento de culpa que o dualismo produz, surgido de encontros mágicos, essas ideias que são filhos de grandes pensamentos, onde um discípulo póstumo de Jesus mistura Platão com a recém surgida mensagem derivada do judaísmo e onde a inconstância e a falta de sentido de um homem eloquente encontra neste Paulo respostas para seu estado religioso e existencial, e onde isso persevera até encontrar um filho de pastor luterano que consegue reverter anos de historia religiosa dentro de seus defeitos e virtudes, mas que consegue ver profeticamente o fim desta necessidade material-externa-religiosa para a necessidade de se buscar o “homem elevado”, que será ao meu ver, a única saída religiosa cabível nos próximos tempos, será a transformação pós-moderna da espiritualidade associada ao homem do futuro. Se ele conseguirá ou não alcançar este nível já não cabe a mim, neste momento, analisar.

            A Religião está dentro do ser humano e não fora, é a experiência de Deus, ela se manifesta no sentimento particular de devoção a Deus e não na padronizante tentativa de exteriorizar seus aspectos como se derivados do sagrado, sendo assim sujeitos a devoção.
            Toda tentativa que o ser humano tem de estabelecer a sua “revelação” divina é uma forma de tentar ser Deus, igualar-se a ele, mas pior, é tentar ser superior a ele já que busca mudar a lei natural e a lei essencial determinada pelo Criador.
            Já à muito foi deixado claro que a exteriorização religiosa é justiça, respeito e altruísmo, nenhuma, porém dissociada da outra. Os homens e mulheres tentam na religião agradar a Deus o desagradando com suas noções temporais dos atributos de bem; já a religião de Deus é para os homens e mulheres, para o bem das suas criaturas e para aprenderem dEle para se beneficiarem mutuamente.

            O que ensina a religião é a distorção, ensina morais hipócritas, “não beba, não coma, não transe, não saia...” mas ela não ensina o ágape de Jesus no relacionamento humano e cósmico, a religião não se importa com você, mas com seu deus de espírito mesquinho.

            A ressurreição de Deus na pós-modernidade.

            “Temos uma representação morta de Deus, visto ser uma representação falsa.” (Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia volume 4 M-O, R. N. Champlin, Ph.D. Hagnos, 2008, p. 504)

            O deus retornando ao pensamento da humanidade no pensamento pós-moderno, apesar de não ser o Deus perfeito, mas algum conceito de deus mesmo que ainda defeituoso, mas que trás valores que o progresso do modernismo encerrou, o retrocesso, ou o efeito da revalorização do mundo com auxílios tecnológicos sustentáveis.

Diego Marcell
2011

9.4.12

Reflexão particular sobre o nascimento do “Eu”



            Hoje não suporto ouvir falar nestes exercícios mentais, livros de poder da mente, palestras de auto-ajuda; vejo que a única verdade é viver e viver é holístico no agora, é físico, é espiritual pela razão que se integra ao Todo. Quando criança minha fé era verdadeira, quando cria em alguém (por exemplo, meus pais) cria que seu ensino era verdadeiro, então se seu ensino era bíblico, cria eu fortemente que moveria a montanha; como nenhuma montanha se moveu, nem nenhuma vontade se cumpriu através da fé, comecei a ficar desapontado, apesar de toda tradição protestante manter-me sob a culpa, o que me fazia jamais perder a fé na fé.
            Apesar de aprender com o oriente, o ocidente também abarcou certo ensino especifico do oriente, junto aquele que hoje vejo, deve ser ignorado o do poder mental, sendo que este se sobrepõe à vontade Universal e à vontade Universal para o individuo.
            O protestantismo moderno, ou pós-protestantismo, te faz cantar o desejo de ser como criança e ser totalmente dependente de algo, e neste mundo pobre e vazio que todas as religiões obtêm seus burros de carga.
            Quando pequeno via em meus pais os donos da sabedoria mundial e conhecedores de tudo, quando, porém, evoluí, comecei a ter algum conhecimento do mundo, então estes heróis morreram e só aí eu pude construir o devir e ser eu mesmo o herói que há em mim, na morte dos heróis paternos foi meu parto, neste momento nasci para mim.

Diego Marcell
05-04-2012

30.11.11

Cultura religiosa na pós-modernidade

A justiça de um Deus dito justo deve estar acima dos imprevistos materiais (físicos e temporais) que a humanidade está inserida, fazer da conversão fundamento salvífico foi o grande engano que não cola mais. Não que qualquer religião leve a Deus, mas que nenhuma, qualquer que seja o pode fazer.

As religiões cristãs não se isentam de tal falho argumento. Nem a instituição católica-romana pode garantir qualquer contato com o Ser Máximo, nem a razão protestante ou a experiência pentecostal, por mais que tenham certeza absoluta do que fazem e se sintam em dialogo cara-a-cara com um Deus pessoal, isso não acontece.

A religião é fato cultural, que evidentemente vem perdendo força em seu local de origem e já a algum tempo tem se espalhado pelo mundo, fazendo adeptos de outras culturas que se inserem na parcialidade cultural de uma religião sem perceberem que se trata de uma opção deste gênero.

A sociedade pós-moderna, porém, trás em sua essência religiosa toda desculturalização da essência religiosa, adere objetos culturais das diversas religiões e busca na plausibilidade universal o sentido religioso que se agrega de todas as positividades espirituais numa cosmovisão global, mantém-se o símbolo, mas lhe é tirado o poder, que pertence a cultura, valendo apenas o interesse estético que move a alma em vias particulares. Todo e qualquer mito é valorizado como tal e também como didático e filosofal; inclusive como deveria ser desde sempre, mas o ser humano criou forma no abstrato tirando de si a forma de executar o que se aprende pelo abstrato.

Não tem cabimento crer ainda hoje em objetos incrustados de história não necessariamente relevante ou fundamental socialmente, mas o pó acumulado sobre o vaso que acaba por se tornar o próprio vaso cobrindo o desenho que retrata a verdade daquele objeto.

Assim a relevância religiosa na geração que nasce pós-moderna, portanto cosmopolita (pelo sistema de informação) se dá pela espiritualidade plausível no ecossistema e em sua mente pela produção e atuação na realidade social e intelectual por uma cultura de igual porte para se fazer a sociedade em todos seus âmbitos desenvolvedora de razão que só poderá ser Universal se respeitar o limite do indivíduo, este limite sendo expressão sem ser imposição.

Quanto à salvação, cabe apenas a Deus e sua justiça de acordo com o indivíduo em questão, sua metafísica em sua totalidade, o julgamento deve estar destituído da temporalidade e espacialidade cultural quando se pensa de cima para baixo, mas refere-se também a estes elementos quando o sujeito é influenciável em sua metafísica, porém qualquer alocução a respeito deve ser evitada, pois nunca caberá a nós fazê-la, então não leva-nos a lugar algum discuti-la.

Diego Marcell
30-11-11

24.11.11

Deus: agente na ausência

As religiões dizem que existem pessoas iluminadas, escolhidas; algumas dizem que Deus revela coisas aos que Ele quer, é comum no meio “evangélico” a pessoa falar que Deus revelou, mostrou ou que “sentiu no coração” tal desejo que seria vontade de Deus.

Quando a Reforma Protestante decretou a liberdade individual para com um Deus pessoal, e que todos poderiam, então interpretar o “texto sagrado”, abriu-se para o conflito gerado pela contradição das verdades absolutas de cada um que agora é possuidor de tal revelação religiosa.

Por mais que os Católicos Romanos interpretassem errônea e tendenciosamente a vontade divina para os fiéis, elas não comprometiam a responsabilidade individual daqueles que criam, os prejudicavam sim, como pessoas sociais, em âmbitos gerais; mas com a Reforma, agora todos passam a serem “deuses” ou sub-deuses capazes de decretar verdades segundo seu “desempenho intelectual e espiritual”.

O erro Católico Romano de universalizar a relação do individuo com Deus, cai diante da liberdade de consciência trazida pela Reforma Protestante, porém imaginar um Deus tão tendenciosamente particular em revelar-se envia a questão religiosa para a antropologia, para a psicologia e para algumas questões da filosofia. Inserir Deus como mediador segmentário no físico é decretar-lhe limitações intelectuais.

O Deus Criador não pode carregar traços de mito a não ser na mente de pessoas cobertas de certa cultura arcaica.

Neste novo milênio, pessoas conscientes pensam a religião como assunto da mais alta seriedade e não estão mais a procura do encanto, da fantasia ou do auto-sucesso, para isso a sociedade disponibiliza outras ferramentas especializadas, mas se estes desejam pensar em alguma forma religiosa, esta deve ser do bem, em beneficio do mundo e no campo do possível, do real e do honesto; se for pensar um Deus hoje, ele deve ter sua atuação na ausência, isto culmina em justiça, esta é a construção social, são seus atos (dos seres humanos) e conseqüências, seus planos, seu ódio, suas patologias e seu carisma. Deus não pode estar visível em lugar da humanidade, seria fácil a esta se ausentar em nome de um Deus que lhe encobre por vontades misteriosas, isto é continuar criando mitos para apontar a culpa das conseqüências do mundo habitado, adulterado e regido por homens e mulheres.

Diego Marcell
20-11-2011

29.10.11

A tentativa da metafísica cristã

O moderno movimento espiritual cristão que defende a existência de um ser humano tricotômico foge de qualquer propósito bíblico-evangélico. Paulo, o criador da doutrina religiosa cristã tem seu próprio ensino sendo reinterpretado a cada geração conforme a distancia cultural de seu tempo se alastra. Com uma tentativa intelectual de buscar em meio aos gregos, adeptos de sua fé, Paulo exercitou a diplomacia pelo conhecimento e pela inserção cultural a sua já tradicional cosmopolita identidade. Porém, compreendendo profundamente o pensamento oriental do judaísmo e sua tradição antropológica quase de um monismo (eu digo quase por considerá-lo equilibrado, bem diferente do que seria uma concepção atéia do homem) ele entra na cultura ocidental dualista armado com todas as possibilidades de dialogo, importando somente a fé verdadeira almejada na proliferação do evangelho.

Se as traduções contemporâneas nos trazem composições expressas de “corpo, alma e espírito”, em momento algum isto foi colocado como concepção metafísica de uma ciência teológica ou antropológica, o mesmo fica evidente com o estudo lingüístico de texto e contexto, sendo apenas uma forma de descrever a profundeza que o evangelho se insere na humanidade quando ele é real.

O problema contemporâneo da tricotomia cristã é a existência do dualismo grego e do ascetismo místico que se agregam a esta deformada interpretação, deixando o vasto campo da desinformação tomar a mente dos fiéis que têm como consequencia um evangelho defeituoso de ação, algo que o monismo que entende a metafísica, ou seja, uma espécie não dualista da dicotomia que não permite a separação da palavra e da coisa em si, sendo aí sim holístico em todo monoteísmo consciente do propósito divino de sua ação metafísica que encontra a física em coerência com a ordem, sendo assim, sempre Verdade pela unicidade.

Diego Marcell
24-09-2011

27.10.11

Panorama da religião na pós-modernidade

Na pós-modernidade deve ficar claro a irrelevância de qualquer segmento religioso porque a fé deve ser mais direta, natural e simples possível, ou seja, a fé verdadeira.

Onde o pensamento pós-moderno tem seus sinais bem fortes o catolicismo romano já faliu, as igrejas protestantes tradicionais que ao ficarem em cima do muro quanto a suas características principais perderam espaço para o neopentecostalismo, este também declara sinais de que seu fim está próximo, somente o terceiro mundo com seu defasado existir mantêm a instituição que é a falsa-religião em evidencia.

A onda oriental apesar de exercer forte influencia na espiritualidade pós-moderna, como religião que possui atributos exclusivos de tal simbolismo, também deixa perceptível que não subsistirá de forma tradicional como segmento religioso.

O islamismo existe apenas fora da pós-modernidade, enquanto o judaísmo é uma representação cultural e não mais religiosa.

É claro que estas afirmações ainda não são afirmações temporais, mas exclusivas do campo intelectual da Era que se inicia, mas que ainda não alcançou nem 50% do espaço global que lhe é possível, ou então, precisaria de mais uns 20% que lhe é necessário para uma relevância mundial.

Diego Marcell
14-09-11

22.10.11

Teologia ortodoxa?

Há tanta disputa entre quem se diz detentor de uma teologia ortodoxa contra quem consideram de uma teologia liberal, porém se alguém está errado, ambos estão, já que é impossível atribuir ortodoxia a aqueles que assim se intitulam.

Quem busca uma “teologia pura” acaba por pular num abismo escuro, a teologia da libertação entendeu o aspecto marxista que implica a idealização que os teóricos clérigos forjam de cima para baixo subjugando atributos divinos no homem à mera teoria, aquela que parece perfeita, mas na vida aprendemos que não se movem montanhas com teorias que nascem de cima para dominar a classe que está por baixo.

A teologia que anunciará o Cristo na Terra jamais será “limpa”, mas terá os pés cheios de pó e lama. A instituição, mesmo quando se manifesta ecumênica e se diz envolvida com as minorias, não passa de balela teórica, pois na prática exige dos interessados os esquemas burocráticos institucionais e a “fama” acadêmico-burguesa dos intelectuais da formalidade. Elas não são salas abertas à idéia, ao diálogo e a novas práticas de intelectuais da rua, integradores sociais, pregadores informais, justamente por abrigarem o pensamento reacionário da modernidade, seus efeitos são ínfimos, apesar da idéia inicial ser valorosa.

Uma teologia relevante se fará neste novo milênio a partir da nascente do pensamento pós-moderno, ela precisa apresentar conteúdo, realidade e espiritualidade compatível aos seres humanos que partem das gerações X e Y para devir. A ortodoxia real é fundamento primordial da verdadeira teologia, mas essa ortodoxia é o evangelho de Jesus sem as arestas culturais e contextuais, as arestas sempre mudam, e devem mudar trazendo para seu centro espiritual a ortodoxia que se enquadra apenas no metafísico, os demais são responsabilidades do campo físico, natural, palpável, intelectual do ser humano que deseja teologar com a vida, quem deseja isto deve adequar-se ao seu contexto para ser ouvido, esta é a teologia que funciona, a teologia impura, que traz consigo a prática, a experiência da rua, o sentimento tanto da angústia, quanto da alegria do seu tempo; nem liberal, nem falsamente ortodoxa, não só da libertação, mas também, conforme seu local de atuação, feminista, negra, ecológica, esta sim é a teologia verdadeiramente ortodoxa.

Diego Marcell
10-10-11

9.10.11

Inventando uma religião para limitar Deus

Sempre que apresentam um cristianismo cheio de esquemas e cálculos e suposições, e acabam o igualando as infinitas religiões existentes no planeta e espalhadas pelas eras, eu me decepciono com o mesmo; sempre que o cristianismo se assemelha a um filme Hollywoodiano, a histórias secretas, a planos revelados e toda essa elaboração de mistérios de dimensões paralelas, eu acabo por desacreditar. Este Deus que parte de conjecturas humanas, de esquemas muito exagerados para um Deus tão superior, que creio eu, não precisaria de tantos artifícios para executar sua obra que se baseia na naturalidade da sua divindade, algo que foge da nossa compreensão e, portanto superior a qualquer tentativa de leitura da mesma.

Deus não precisa limitar-se a regras cingidas de não sei onde e porque motivo para realizar aquilo que deseja.

Por serem seus designos impróprios a nossa capacidade, não tem sentido criarmos a partir da nossa compreensão conceitos para as coisas de Deus.

Diego Marcell 12-03-11

7.10.11

Catarse

Às vezes a oração, o dialogo com alguém especial e alguns momentos da vida são uma catarse para nos colocar em ordem, ou nos tirar a ordem, nos por do avesso; como uma dor na alma, como sonhos mortos e desejos reprimidos, fugir é tentar se libertar das vozes da razão que lhe cutucam deixando o corpo pintado de hematomas.

Como Deus resolve direcionar suas causas não nos compete saber, mas escolhemos a direção que nos faz menos racionais para termos desculpas para dar quando nos afogam em latões de água.

A vida social parece não querer ambigüidades e só percebemos quando queremos ser o hibrido numa situação onde tudo é definido com exatidão. Exatidão que sufoca o poeta que se vê entrelaçado de sentimentos e tem que calar porque seus hematomas doem.

Sem fôlego para correr e sem adrenalina para nos alimentar, assim morremos do mesmo jeito que tentaram matar Deus. Porém, não somos tão fortes como o antigo alvo da sociedade, se Deus se reinventa, deve Ele nos ressuscitar após cada tijolo arremessado nas mulheres do oriente médio, Ele deve nos sustentar após cada seca e fome dos meninos da África, Ele deve nos levar num plano perfeito, numa hora marcada pelos relógios da natureza e nos fazer colher sonhos de um jardim tão ameaçado e desmatado que é este que aí está. Lá compreenderemos será, algum dia, a reinterpretar o que nos deram?

Diego Marcell 07-07-2011

4.10.11

A magia do sacerdócio

O mau possui uma via que se aplica em qualquer âmbito, quando alguém percorre contra a natureza através da magia, que é a arte, prática ou ciência de produzir efeitos contrários as leis da natureza, seja por atos, palavras, interferência de espíritos, demônios, efeitos ou fenômenos extraordinários; ou seja, aqueles que pretendem partir contra a naturalidade da vida, da criação, da ordem, são estes adversários do Criador e da humanidade.

Por incrível que pareça, são justamente aqueles que possuem títulos sacros que ferem a Vontade da Divindade Absoluta e do Cosmos. Pastores, xamãs, videntes, médiuns, curandeiros e outros, ao influenciarem a vida humana pelo enclave emancipatória da vontade própria e aferir por esta a justiça da intervenção de poderes extranaturais, os mesmos querem – como o exemplo deixado no texto de Ezequiel – chegar acima do Altíssimo; o ego lhes quer mais belo e a ilusão lhes mostra poder, mas a glória nunca é levada ao merecedor, por Este ter sido anulado por seres menores e possuidores do erro do pensamento individual.

O pensamento Universal deve tanger a realização de toda a criação pela Vontade e soberania do Absoluto que cumpre na natureza a ordem da perfeição, aqueles que pensam diferente deveriam correr atrás da “perfeição” do mundo imaginário, projetado, vislumbrado na morte, já que discordam com o cosmos e tentam no abstrato e no sonho, no extravagante e extraordinário o seu ideal; todos que pensam assim são contrários ao Deus e a vida, pois buscam na magia e na manipulação da vida pelo erro (que é sua capacidade limitada e individual de pensar e portanto, errar), sendo clérigos da morte não só física, mas mental, espiritual, cultural e social.

Diego Marcell 08-06-11

Interpretando provérbios

De forma artística por escolha divina. (Pv 20.27)
Buscar sabedoria é carregar a cruz dos acomodados. (Pv 19.24)
É admitir que não sei e não sou nada, diante dos engravatados de voz grossa. (Pv 26.12)
É querer curar o íntimo, quando sua sombra não gera fé para o paralitico andar (afinal qual é o mais importante?) (Pv 26.7)

Diego Marcell 03-09-09

Pensamento concreto

Estou passando por uma experiência socrática; todo mundo sabe tudo, todos possuem suas verdades; eu só sei que nada sei. O pensamento não pode ser concreto, eu conheço muitas coisas, mas não sei o que elas são no intimo, porque expô-las de forma absoluta as concretiza. O que sabemos de concreto é o mistério e por ser mistério somos impedidos de concretizá-lo como estamos acostumados e isto é Deus e o seu reino, Deus e seu absoluto, seu mistério que é a única verdade, por isso o concreto não pertence a nós, então é impossível afirmarmos por nós, pelo nosso individual, por isso para nós não pode existir o concreto por nossa própria vontade.

Estou cansado de ouvir o que as bocas falam em nome de Deus, eu mesmo estou cansado de reproduzir algumas coisas, estou cansado de me ouvir; porém quando faço isso que estou fazendo, escrevendo desta forma, é meu auto-conhecer através do dom que recebi do Pai, mas que não o concretiza no absolutismo das doutrinas individuais ou de outra classe que não seja a pura e simples que Cristo instituiu.

Cada vez mais o silêncio parece mais agradável. Aprender está se tornando, a meu ver, cada vez mais uma tarefa solitária. E a comunhão com Deus, mais louca a cada dia.

Preciso me aceitar. Preciso ter certeza de algumas coisas para isso. Ou será que não? Não há resposta humana para isso, mesmo porque o aceitar-se ninguém sabe em que nível está e de que âmbito se trata.

Mas que eu preciso de algo profundo, eu preciso, se é cura ou outra coisa, só espero no tempo do meu Senhor para saber. Tenho fé nisto.

Diego Marcell 12-09-09

A teologia em mim

A teologia é uma paixão que aumenta seu fogo em mim a cada novidade.

A exegese foi um balsamo contra as doutrinas e interpretações desses inúmeros lideres religiosos que aprisionam a vontade e a ação de Deus em atos e rituais puramente egocêntricos, fantasias confeccionadas para a auto-promoção usando Jesus como garoto propaganda.

Continuo afirmando, todo ser humano deve ser filósofo, se não for, não passará de um receptor de bobagens criadas por aproveitadores.

Ou o ser humano deve ser um solitário, surdo e só capaz de ler a Bíblia para si, aí também há possibilidade de salvação, pois o que tira muitos do caminho que Deus colocou é o ouvir aos homens.

Os que se auto-ordenam “santos” hoje, são os preconceituosos, os ditadores, os ladrões, os cegos, os assassinos, os vampiros, os avarentos de almas, os censores da liberdade cristã.

Viva a teologia do individuo. Viva a mente que pode pensar. Viva o homem que pode amar. Viva os poetas que não precisam se explicar.

Toda terra louve! Glória ao Deus criador da terra. Glória a Jesus, o único sentido humano. Glória ao Consolador daqueles que choram.

Deus abençoe os solitários.

Diego Marcell 22-03-10

Teologia subumana

É preciso ter capacidade filosófica para chegar a verdade. Os religiosos criam monstros. Como dizia Nietzsche: “Ai de todos os espíritos livres que não estejam precavidos contra semelhantes ilusionistas! Podem despedir-se de sua liberdade porque lhes ensinas, ó sedutor, a voltar a suas prisões!”

Homens multifacetados atraem multidões, vale tudo por dinheiro, virou comercio, comercio de almas. Mais uma de Nietzsche: “E os que mais vos agradam não são os que conduzem para fora do perigo, mas aqueles que vos levam para longe de todos os caminhos, os maus guias.”

Fizeram do templo seu parque de diversões, manipulam com sua variedade de shows “espirituais”, seus mágicos possuem a formula para produzir fé, brados promocionais atraem os leprosos do coração que são facilmente convencidos por uma teologia subumana. Para esses fantasistas que não possuem um fio de temor do Todo Poderoso... vai Nietzsche: “Porque o temor é sentimento inato e primordial. Pelo temor se explica tudo. O pecado original e a virtude original. Minha própria virtude nasceu do temor. Chama-se ciência.”

Diego Marcell 22-03-10

O evangelho no homem

Enquanto buscamos no espírito, coisas do Espírito, não encontramos o que buscamos na consciência pelo Espírito.

Sem eu saber sistematicamente, academicamente ou teoricamente que seja, pelas reflexões, pela busca, pela verdade sem auto-favorecimento, pela humildade, pelo desprendimento e sim pela espiritualidade, eu obtive inconscientemente, recebi no mais intimo da minha alma, agregou-se a minha essência, o que com palavras não se pode exprimir, através da experiência particular que ocorre em cada individuo que se permite, uma promessa geral, já que o meio é individual, mas o fim é para todos. O que quando escrito incompreendido e quando sentido inexplicável.

Talvez por isto agora eu saiba o que realmente é um cristão, apesar de cada vez mais me distanciar de uma definição de qualquer coisa. Saber que o porquê decidi andar na contra-mão e não ter mais receio disso achando que estaria pecando. Sentir o que aqueles homens sentiam quando escreviam e lutavam contra as seitas que se levantavam.

Ter em você o evangelho é realmente não temer os homens, é enojar-se das linhas ditadoras de doutrinas e tampar os ouvidos ao soar das vozes “proféticas” que surgem aqui e acolá.

Apesar das dores profundas causadas por esse nado contra-corrente, eu escolho isto à ilusão dos outros.

Diego Marcell 10-03-10

Ontem terça feira no programa Provocações da TV cultura, vi Rubem Alves falando uma grande verdade. As igrejas excomungam ou queimam na fogueira não os moralmente pecaminosos, mas quem pensa diferente.

3.10.11

Distorção neopentecostal

Os planos, projetos e ações no meio eclesiástico como evangelismo, célula, culto de milagres, culto de jovens, culto da família, noite disso, grupo daquilo, corrente da vitória, corredor do sal, lençol sagrado; do mais simples ao mais bizarro, tudo isso é fundamentado em cima do medo e não da confiança em Deus e no que Ele pode fazer.

Cargos, cursos, responsabilidades, decoreba doutrinaria, bíblica, é tudo por acharem que eles mesmos podem realizar algo; “dar frutos”, “muitos frutos”, isso é dar frutos para uma instituição, para seu sustento e não tem nada a ver com a salvação de vidas, já que isso só o Espírito Santo pode fazer, e também não tem nada a ver com os frutos do cristão que não se baseiam em algarismos, mas em consequencia de ter uma vida com Cristo.

É engraçado ver como a teologia da prosperidade distorce o evangelho, cega as pessoas e vende com facilidade a alma dos seus ministros por qualquer sopro pós-moderno de unção de doutrina.

Diego Marcell 10-04-10