11.1.18

Artista hipermídia ou budismo cyborg




Com o passar dos anos e o agregar informações seria natural que minha arte chegasse a ser hipermídia, por uma questão natural e não programada, assim ela ocorreu por atributos do espírito, da natureza.
A manifestação de um discurso em suportes passaria a encontrar na variação dos mesmos sua forma adequada de expressão, ou seja, a necessidade da vontade específica para determinada linguagem.
A informação continua sendo a mesma, o que ocorre é que a informação sempre é fragmentada. Se a vida é a arte quando se criam os valores para a existência, sempre será impossível uma biografia que exponha a complexidade e o prolongamento dos link’s possíveis de contextualizar para que se contenham numa só coisa leituras suficientes.
De qualquer maneira, esses termos só são necessários a certos grupos, a exigência de explicação se dá pela objetividade do mundo que fossiliza algumas coisas enquanto tampa o sol de outras. Sendo assim, jamais poderia me taxar escritor, filósofo, cineasta, artista visual, dramaturgo ou performer; nada é suficientemente continente do que sou.
Assim minha expressão é artística enquanto é uma técnica pessoal sobre ferramentas específicas; é poética enquanto criação de valores específicos sem juízo moral, mas seguidor de um ethos julgado em processo temporal de conhecimento e descoberta; e é hipermídia enquanto se desenrola, se imbrica, portanto, dialoga e age nele mesmo de diferentes formas, por diversos caminhos, para variados fins captando e expelindo o que é um e o que é tudo, é o budismo cyborg.
Portanto, se texto, se vídeo, se áudio, se tinta, se caminhada é o desempenho para além da performance art sem deixar de sê-la; é o conceito para além da arte conceitual, podendo sê-la ainda assim; é ausência de citação que contém todas elas como organismos vivos a darem movimento ao que vive.
Mito e ficção também são formas de realidade. Assim o que se come e o que se veste passam a serem ditames também da mesma realidade produzida.

Diego Marcell
11 de janeiro de 2017

21.12.17

Rei Vittar rainha Anitta e o bobo




Estou impressionado com a complexidade terminológica nas letras da nossa música popular brasileira. Dizem que Pabllo Vittar não canta nada, tanto faz, mas KO já é um clássico da mesma forma que o revival anos 90, tanto os belos pagodes românticos, quanto uns terríveis axés sem sentido algum, porém, este mesmo Pabllo fez dupla com Anitta, se ela Vittar é o rei, Anitta é a rainha desvirtuada a se enganar como Geni aos Zepelins, que neste caso já não sei se também não faz sentido, já que talvez, às avessas. Fato é que a melodia pode nos remeter aos arremedos do axé, um próximo descendente do lundu, mas em sua última canção de sucesso Anitta replicou os velhos chavões da estilística da comunidade pra gringo ver, o que bastava era a batida e o sentido, mas qual... se agora os burlamos aos embutidos.?
Tentei ouvir a pouco qualquer cantora norte-americana, é impossível, eu que tenho me debruçado ao jazz e aos ruídos, nas naturezas reais das fragilidades grandes.. com essas cantoras pop contemporâneas: dificuldade.
Enquanto Karol Conka é com a razão a melhor pop atual, eu ouço realmente é o maravilhoso soul da Flora Matos.
A questão é, se nosso rei é rainha, nossa rainha é a loira do Tchan e o nosso bobo da corte sendo o rock’n roll tem em Pitty e Lobão os seus atores, a verdade é que degeneramos nossa sociedade pela quantidade de perda de referência cultural, ou seja, nossa cultura novamente mais a serviço dos meios de poder que da arte, salve nossos bobos, pois são a arte na aristocracia cultural que neste momento entregou ao poder da degeneração para se perpetuar.

Diego Marcell
20/12/2017

13.12.17



Não é fácil aguentar
As dores das flechas
Atiradas de perto,
Mas não há nada mais prazeroso
Que a consciência de si.

Não é bom deixar velhos amigos
E até a família
Machuca a falta de cúmplices,
Mas não há nada mais gratificante
Que a liberdade de ser o que se é.

É difícil lutar contra as heranças
Quebrar os padrões repetidos
Negar os valores exaltados,
Mas não há nada mais instigante
Que o ineditismo de criar a existência.

Diego Marcell
13/12/17