18.11.17

O sangue do samba não é só afro,
também é euro latino,
índio e saxão.

Diego Marcell
17/11/17

10.11.17



Anda difícil causar um incêndio
Com tudo tão brando
Os ninjas e seus bandos
No bar a meia-noite ébrios
São capoeira, mas discretos
Não são ninguém ali
Comem gorduras
E palitam as garçonetes
Não são ninguém ali
Dançam tango quando bem pagos
Comem cérebros quando educados
Mas ainda assim ninguém reconhece
São sempre bem vindos
Até odiados
Usam leve perfume, não catalogado
E passeiam nas muretas
Nunca fazem caretas, apenas à trabalho
Às vezes dão gorjeta, quando humorados
Fazem piruetas, no municipal
Ou em praça nos feriados
Mas não são ninguém aqui
Vestem-se bem
Melhor que as fantasias
Como disse: são discretos
Bem mais que toda maioria
Mas não são ninguém aqui

Pobres ninjas
Dândis do budismo
Confidentes do abismo
Sem mensagens pra’manhã
Somos teus vigias
Voyeurismo ao nada são teus dias
Longas tragadas em colunas sônicas
São surrealistas ao meio-dia
Belos ninjas no kabuki
Kunoichi’s sensuais a seduzir
Não reconhecem leis
Nem os monumentos inaugurados
Mas estão nas festas, como convidados
Parecem príncipes, são sapos
Fumam pra sumir, bebem pra flutuar
Poderes inúteis na mesa de sinuca
Tacos fracos pro kenjutsu
Então contam piadas de humor ácido
Como se fosse uma catarse epicurista
Num olhar plácido de artista
E ninguém lembrar-se-á
Dos anjos da neblina

Diego Marcell
10/11/17


2.11.17

De 21 a 21




Eu sei que dói igual
Que parece normal
E o que todos vão falar
Mas minha dor é veneno
É um extremo
Que não consegue pensar

É um corpo uma alma um espírito
O valor póstumo do mito
Fogo e o despojo de Marte

Mas é tua salvação
Lã de ouro da tua geração
Jasão antes que seja tarde

Diego Marcell
23 de outubro de 2017