23.11.18

Angústia como azia
Abismo como espelho
Vazio
Solidão é deserto que arde
Quando o vazio é minha miragem
O mundo insiste para eu ser mau
Ele clama para eu ser mau
Só a maldade poderá salvar a alma sensível?

Eis que quanto mais clamo pelo bem
Mais o mal me cerca
Jesus no deserto
Quarenta dias de inundação
Solitária por um erro da justiça
O que pesa na balança é mentira

A química do corpo está rouca
O grito abafado é tortura das piores
Ei mundo que clama por devires
Que chora por ausências
E que mata por amor
És o mundo que insiste para minha maldade aflorar
Insiste para o ódio florescer do nojo

Eu não estarei mais entre vós
Serei a eternidade esquecida
Clamo para ver o rosto do mal
Sem o esconderijo das máscaras
Eu não brinco em serviço
Eu não brinco com o que sinto
Eu quero socar a cara do abismo
Estilhaçar minha pele em rubro gotejar
Mas quero a verdade

Jamais fui a falácia das massas
Fui o erro, o erro sim
Mas a falácia jamais
Fui o mal, o mal sim,
Como qualquer mortal
Mas jamais menti
Fui a verdade dolorida
Dos deuses odiados
Fui o desbravador das matas
E o andarilho das sombras
E jamais neguei os rastros
Nem inventei trilhas
Sou pura filia
No cosmo de neikos

Diego Marcell
23/11/18


22.11.18

Sou outro traço no rizoma
Outra espécie do mesmo sangue
Noturno e delirante
Muito mais polido que outrora
Sem a máscara do ladrão
Sem as vestes da tradição
Ambíguo animal

Anonimato ancestral
Que dilema e solução
Eis que serpenteia o dragão
Viajante da aurora
Ser o desejo insinuante
Vilipendiado ao mangue
Ter-me criado a soma

Diego Marcell

20/11/18

19.11.18

Pintura de ação


            A série “pintura de ação” consiste num braço da pesquisa que converge também com a apreensão estética do artista, ou seja, o quanto da poluição oriunda dos acasos pode determinar a aparência pelo movimento físico do pintor/performer. São estes dois elementos que expõem questionamentos na mente do artista, que é histórica e afetada de sensibilidade imediata.
            Cada quadro parte de dispositivos específicos determinados pelo ambiente que cerca o ente propositor da obra que é o ser da experiência única do fenômeno. Além do aspecto pessoal, ou seja, a disposição espiritual deste no momento; os aspectos físicos, a historicidade dos materiais, como por exemplo, determinado tubo de tinta encerrado em sua condição quantitativa, devem determinar as futuras contingências; portanto há um cosmo e como tal, certa mecânica determinada por leis da mente do artista para que este possa trabalhar sobre as circunstancias inéditas oriundas do fenômeno.
            As pinturas não são desconectadas de trabalhos de outras mídias como áudio e vídeo, assim a reverberação dos conceitos seguem contidos naquilo que se apresentará distinto, todavia não há desprendimento dos valores do criador como elemento de unicidade para a vivência, inclusive como ator social.

Diego Marcell

26/09/2018