22.10.11

Teologia ortodoxa?

Há tanta disputa entre quem se diz detentor de uma teologia ortodoxa contra quem consideram de uma teologia liberal, porém se alguém está errado, ambos estão, já que é impossível atribuir ortodoxia a aqueles que assim se intitulam.

Quem busca uma “teologia pura” acaba por pular num abismo escuro, a teologia da libertação entendeu o aspecto marxista que implica a idealização que os teóricos clérigos forjam de cima para baixo subjugando atributos divinos no homem à mera teoria, aquela que parece perfeita, mas na vida aprendemos que não se movem montanhas com teorias que nascem de cima para dominar a classe que está por baixo.

A teologia que anunciará o Cristo na Terra jamais será “limpa”, mas terá os pés cheios de pó e lama. A instituição, mesmo quando se manifesta ecumênica e se diz envolvida com as minorias, não passa de balela teórica, pois na prática exige dos interessados os esquemas burocráticos institucionais e a “fama” acadêmico-burguesa dos intelectuais da formalidade. Elas não são salas abertas à idéia, ao diálogo e a novas práticas de intelectuais da rua, integradores sociais, pregadores informais, justamente por abrigarem o pensamento reacionário da modernidade, seus efeitos são ínfimos, apesar da idéia inicial ser valorosa.

Uma teologia relevante se fará neste novo milênio a partir da nascente do pensamento pós-moderno, ela precisa apresentar conteúdo, realidade e espiritualidade compatível aos seres humanos que partem das gerações X e Y para devir. A ortodoxia real é fundamento primordial da verdadeira teologia, mas essa ortodoxia é o evangelho de Jesus sem as arestas culturais e contextuais, as arestas sempre mudam, e devem mudar trazendo para seu centro espiritual a ortodoxia que se enquadra apenas no metafísico, os demais são responsabilidades do campo físico, natural, palpável, intelectual do ser humano que deseja teologar com a vida, quem deseja isto deve adequar-se ao seu contexto para ser ouvido, esta é a teologia que funciona, a teologia impura, que traz consigo a prática, a experiência da rua, o sentimento tanto da angústia, quanto da alegria do seu tempo; nem liberal, nem falsamente ortodoxa, não só da libertação, mas também, conforme seu local de atuação, feminista, negra, ecológica, esta sim é a teologia verdadeiramente ortodoxa.

Diego Marcell
10-10-11

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