Mostrando postagens com marcador Filosofia da Educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filosofia da Educação. Mostrar todas as postagens

1.10.18

Sou professor voto no PT


            Eis o dilema filosófico que me abate: seria melhor crer que certa corja de professores e acadêmicos é mau caráter ou idiota? A idiotia é um termo que sofreu ao longo da história, mas aqui me refiro a patologia mesma de ter um quociente de inteligência incapaz de tomar decisões realmente abalizadas, portanto não estou a designar pejorativamente por esta palavra. Sendo assim a questão do mau caráter pesará em matéria de ética, pois se os mesmos tendo QI para tal posição, utilizando-se dos meios simplesmente para favorecimento próprio – apesar da velha e batida propaganda do servir ao povo como mecanismo moral de auto-indulgência – passam a se agarrar nas ideologias mais criminosas, ou seja, as que colocam o povo sob seus tênis Nike (ou Adidas pra quem acha que a centro esquerda é pouco).
            A questão emerge em tempos eleitorais, por ver as universidades tomadas de discurso hipócrita e a materialização da propaganda petista por parte desta gente. Aproxime-se e questione, a intelectualidade educacional então seria regida ou por índole criminosa ou por mente incapaz de processos intelectuais minimamente aceitáveis.
            A educação rígida do sistema estatal, uma grande piada cheia de gente que faz cara séria e cita Paulo Freire, mas na verdade quer mesmo é sentar na inércia que isto causa para pagar suas férias anuais em Cuba ou no Uruguai.
Informação, eis a que se resume a questão, mas os mesmos auto-proclamados “educadores” limitam as informações fundamentais para a libertação daqueles que foram historicamente alijados do básico.
            Informação sem cunho ideológico permite o autoconhecimento, mas toda esta miríade de professores de esquerda só existem à uma finalidade: exaltar um sistema que favoreça o poder por seu emaranhado burocrático para a manutenção de padrões e castas aristocráticas para que todos estejam seguros de suas posições nos registro do arquivo nacional. Quem não admite esta obviedade histórica ou é mau caráter ou idiota.

Obs: Vi a foto de perfil no Facebook de uma pessoa que foi minha professora na pré-escola, com a propaganda do Bolsonaro; neste caso não houve dilema filosófico, mas apenas a constatação da idiotice daquela que deveria ser capaz de instruir.

Diego Marcell

28/09/2018

15.10.17

O professor e o caminho




            Em educação um professor deve ser aquele que se possibilite junto ao estudante encontrar a maneira que a mente deste encontre o fim almejado. Todavia, para tanto, minha dúvida é se este instrutor pode chegar a tal condição sem ter ele mesmo vivido o paroxismo existencial, trilhado para o autoconhecimento e despertado o Um, para aí sim compreender as possibilidades da diversidade que está encoberta e onde os tiros no escuro dados pelo mestre valem-se mais da intuição que da técnica.
            Poder-se-ia com tanta ciência fazer algo aos homens quando estes já não são uma massa?
            De fato o tempo me deu mais compreensão de Nietzsche e o que sua filosofia traz, que os manuais. As instituições de ensino com suas múmias de calculadoras nas mãos não podem fazer mais ao homem que um desjejum. Se falta antropofagia na vida acadêmica falta alma na escola.
            Como alguém que não dispõe a própria existência como proposição criativa pode ter a ousadia de vestir-se da capa educacional?
            Visto que não há alimento, pois o espírito covarde não sai à caça, acomodando-se com os enlatados; assim como iriam aceitar a pluralidade cultural imediata daqueles que tentam a satisfação por vias inéditas? Ele exige a etiqueta para suportar o mundo, mas ele é incapaz de criar as próprias etiquetas por não aceitar a desordem que é causa e efeito, seu mundo não aceita porque não se sustenta, então reproduz o que é dado por um poder, como consequência acrescenta-se doxa inflando ainda mais a distribuição deste mesmo poder.

Diego Marcell
15/10/17

25.7.17

Relatório de estágio de licenciatura em artes visuais e as reflexões geradas




            Minha primeira experiência de estágio se deu com o ensino médio no maior colégio estadual do Paraná, eu já havia cursado um técnico anos antes no local, e desde aquele tempo me impressionava a estrutura, que desde sempre julguei mal utilizada. Para o estágio, porém, demonstra-se com uma bela dinâmica, de espaços, equipamentos e materiais. Acompanhei um primeiro ano, do qual posso extrair a reflexão de que por um lado positiva, ao ser de bastante aplicação prática, pelo lado negativo, agora restrito ao professor específico da turma, seu desleixo quanto a uma aproximação técnica das aplicações, deixando tudo muito sem qualquer progressividade para que se indique as aulas de arte, a não ser pelo conhecimento de certas linguagens, que ainda assim, parcamente resgatadas as aplicações, pouco agregavam para a experiência dos estudantes.
            Pensemos então, já a partir deste exemplo, extraído de dentro de um lugar privilegiado, daqueles que são fornecidos pelo Estado, que nota-se a deficiência, falta de punch, comodismo por parte do professor ao exercer sua profissão, grande causa de tal deficiência talvez seja identificável no abandono do mesmo da prática artística pessoal, ou seja, aquele que leciona não é um artista, não sendo um lhe carece os ingredientes necessários a um enredamento pela paixão daquilo que se carrega.
            Já vi muita gente falando, inclusive pensadores mainstream sobre o fato da universidade não formar o autor, na forma de pesquisador (historiador, artista, filósofo) e sim professor disso e daquilo, algo que evidentemente não se pode negar, porém, a questão é justamente esta, um mero professor ainda pode “ensinar” no mundo de hoje? Esta questão se apresentou ainda em outra realidade a mim desconhecida, mas da qual foi corroborada. Estava eu na primeira aula da escola Retrofuturista e o Profº Dr. Enéias Tavares que é da área de letras, dizia de sua inserção da criação de ficção por parte dos graduandos em determinada matéria, compativelmente a que expus acima ele dizia que a faculdade de letras formava professores de letras e não escritores, mas via se talvez com esta prática da criação ficcional aqueles não se tornariam melhores professores? Não tenho dúvidas quanto ao resultado afirmativo de tal fator que deveria ser já regra dentre os formandos do ensino superior - independente de área - a presença da criação.
            Confesso que ao presenciar o conturbado momento político, suas interferências e eclosões de vozes quanto ao ensino no Brasil, ficar indisposto a qualquer revolução ao nível formal, pois vindo do meu primeiro dia de observação do estágio no ensino fundamental só uma coisa martelava minha cabeça ao fim do dia: é só uma forma de ganhar dinheiro fácil. É assim que se apresentam grande parte dos professores, e tratando-se de arte, pensava eu “quão negativo está sendo o trabalho dessa gente pra área da qual resolvi me dedicar”. Mais adiante explicitarei as causas desses pensamentos. Mas voltando às revoluções, vejo que a mesma se de com efetividade apenas em essência, e se não for pelos homens - como ao que indica não será - ocorrerá pelas máquinas, quando estas passam a ditar novos paradigmas na sociedade, ao perceber o que ocorreu para os humanos já será tarde, e aí sim à fórceps inevitavelmente as coisas mudarão.
            Enfim, encerro meu estágio no ensino médio, com uma turma totalmente apática e mais interessada em maças que em criação, e aqui as maças não fazem nenhuma metáfora com se desejar o conhecimento, mas apenas um entretenimento que distingue as coisas dentro da tradição escolar.
            No segundo semestre realizamos o estágio num colégio de ensino de jovens e adultos, eu sempre tive interesse neste tipo de ensino, até mesmo por ter frequentado um, porém por vezes me esquecia que estávamos numa turma de ensino fundamental, sendo realmente difícil associar e nos fazer pensar quem são aqueles que tem 17, 30 ou 50 anos concluindo o ensino fundamental e tendo que ter aulas de artes. O que significam estas aulas nesta matéria para estas pessoas?
            Minha educação nos anos 1990 ainda sob resquícios mais explícitos de uma nova democracia ainda tentando lidar com as mudanças, creio que me entediavam, os professores que não chamavam minha atenção ao conhecimento, me levaram a reprovações por encontrar mais sentido na diversão que no cumprimento de coisas sem diálogo com a realidade. Fui parar numa turma de aceleração (algo que surgiu na época) com uma proposta de ensino diferente, mais orgânica, mas que hoje percebo que os professores não tinham capacidade de aplicar o que a nova proposta pretendia, o discurso não se completava na prática e o rigor formal ainda sobressaia as nuances humanas da qual se propunham. Lá me deixaram meio ano a mais o que desencadearia num futuro ter que encerrar o ensino médio num e.j.a., pois se foi tranquilo pra mim passar pelo ensino médio, eu estava meio ano atrasado (e nesta época inicio dos anos 2000 existia um sistema semestral), como eu pretendia iniciar a faculdade no inicio do ano, fui adiantar minha formação para não ficar seis meses num vácuo.
            Evidente que há um modo muito direto de entregar à sociedade pessoas com ensino básico para que estes possam conseguir empregos, não me atentarei a toda esta estrutura educacional e focarei apenas na matéria de arte que tive.
            Em toda minha formação escolar não me lembro, sinceramente, de coisas que não fossem “desenho livre”, “desenho de observação” e “precisa fazer margem”, ou seja, não tive nenhuma mínima formação artística; quando, porém fui ao e.j.a., a indicação era de que eu deveria apenas fazer uma produção livre e entregar, não me lembro de qualquer aula teórica ou mesmo prática. Então arranjei um pedaço de pedra sabão e esculpi um pé. Lembro de ter ficado extremamente feliz com aquele resultado e aquela experiência, antes mesmo de receber os elogios da professora. A indicação era que após um período eu poderia buscar minha produção, voltei depois de uns meses e nunca mais encontrei meu pé de pedra sabão, porém o guardo na memória como parte do que me abriu um entendimento para algo que nunca recebi formação nem incentivo (exceto esta vez), e algo que fui reatar somente na faculdade, mais de dez anos depois.
Esta experiência serve como conexão ao pensamento que viria a desenvolver a partir das matérias educacionais na faculdade, sobre o verdadeiro sentido da expressão artística na formação do individuo. Quais as efetivas práticas que o professor deve considerar de acordo com suas variadas turmas de estudantes, e aqui Paulo Freire e Matthew Lipman não nos vem como sistema, como regra, como mestres, mas como antropofagia, rizoma, como instrumento resignificado. E como encontrar este sentido numa turma tão dispare como num e.j.a. de ensino fundamental? Como respeitar a matéria humana das linguagens artísticas na obrigatoriedade do ensino senão fazendo com que ela faça algum sentido em seres humanos que foram privados desta experiência ou da consciência dessa experiência?
Por isso ao observar as aulas eu só podia pensar numa aplicação que desse relação de experiência com o fazer artístico aos estudantes em questão, não poderia pensar em mais teoria que não fosse a mínima para subsidiar uma contextualização, e é claro, gostaria de investigar, assim como na comunidade de investigação do filósofo norte-americano para que os estudantes pudessem também se reconhecer ao reatarem aquilo que lhes foi abafado de alguma maneira até aquele momento. Por isso agora vou me ater as reflexões geradas a partir das observações nesta turma de ensino fundamental de jovens e adultos que foram suscitadas do miolo da causa.
Primeiro dia chego e a sala é pequena, estreita, com mesas grandes no meio e carteiras na lateral, altamente imprópria para práticas artísticas satisfatórias. Seis estudantes, sendo três mulheres entre 16 e 23 anos e três homens entre 16 e 50 anos.  Ao que parece na aula anterior a professora havia passado o filme “Lixo extraordinário” em sala. Nesta aula ela pediu para escreverem sobre o filme e depois falar. Findado este momento, ela distribui as apostilas e fazem a leitura sobre a missão artística francesa; evidente que eles não prestam atenção, não há identificação significativa dos temas da aula com suas realidades, deixam claro que há mais importância na interação entre eles que na aula. Em seguida a professora fala sobre ilustração botânica baseado nos primeiros registros dos franceses e depois Margaret Mee (inglesa que veio pro Brasil); as aulas tem seguido uma relação de arte com biologia, então a professora trouxe umas florzinhas, entregou uma para cada junto a folha sulfite para eles fazerem uma representação livre.
No segundo dia as coisas acontecem exatamente como no dia anterior, a professora segue fielmente a apostila, pretende “terminar o capítulo”, fazem a leitura de certo texto sobre “paisagens brasileiras”. Neste momento passo a pensar na razão de haver professor se é pra ler toda apostila sem ao menos conseguir agregar um fato paralelo ao assunto que não esteja previamente escrito!? Quando fala de uma obra famosa que não se encontra na apostila, ela não consegue nem expressar aquilo que cita, o sentido de ter citado uma obra famosa do pintor que está sendo usado na apostila, mas cuja obra não aparece no livro, por exemplo. Acontecem perguntas esparsas que não se conectam com o sentido artístico, mas apenas técnico, físico, químico, mas nada que tenha relação estética. Após toda a aula nesse discurso ela pergunta para uma menina se a obra de Frans Krajcberg causava algo nela, a menina respondeu que não; pois claramente não há uma motivação, uma mediação que aproxime coerentemente ao estudante com sua ausência de animo, por isso penso que uma aula de arte deve favorecer a sensação na pessoa, independente de quem seja e em que nível esteja, mas principalmente nestas situações, onde adultos com defasagem de estudo precisam concluir sua formação de forma mecânica, a arte deve estar no currículo para cumprir seu papel e não o papel servil dos números de um sistema de ensino, que segue preso a outras lógicas, o ensino de arte, inclusive e com destaque a estas pessoas do e.j.a. onde deve propiciar uma experiência, uma aproximação, não de nível técnico/histórico, já que isso se esvai na vida daquele que não cultiva no espírito, sendo assim a aula deve suscitar um sentimento e uma lógica que os faça perceber um campo que compõe o ser humano do qual eles também devem participar, serem autores/viventes, conjuntos, algo que os decalques dos livros didáticos e seus distanciamentos não podem causar nem gerar. Como no meu pé de pedra sabão, quem sabe se não fosse por ele, eu jamais tivesse ido às artes visuais e por consequencia, jamais teria tido tais experiências e reflexões.
Novamente no final, ela pega uma questão da apostila e pede para os estudantes escolherem algum tema passado no capítulo e escreverem “o que acham” daquilo. A aula de arte acaba exaustiva, sendo mais uma aula chata da escola chata brasileira.
Chegado o terceiro dia parece que uma das meninas tinha concluído o módulo e sai antes de iniciar a aula. Havia dois rapazes que não tinham comparecido nas outras observações. Um deles participava mais no inicio da aula enquanto o outro ficava no celular. A professora segue ao capítulo 2 da apostila intitulado “Os objetos”, lendo e dando alguns pareceres quanto a algumas palavras usadas, no caso específico “designer” e depois perguntando sobre como certo móvel na apostila se apresentava a eles. Ela perguntou se eles sabiam o que era sustentabilidade, mas teve que ler uma definição ao invés de contextualizar para a turma, enquanto isso a maioria se dispersava. Depois ela pegou folhas e eles já deduziram, “vamos desenhar uma cadeira?” (havendo até certa ironia na pergunta) e de fato foi isso que ela pediu, porém não explicitou nada afirmativo como proposta; perguntada se era pra copiar, - “não precisa copiar” – ou quando pedido régua – “não precisa usar régua” -. O rapaz que a princípio só ficava no celular foi o único que fez uma cadeira com perspectiva, fui lá e perguntei se ele desenhava, disse que não, mas tinha certa noção, falou então pra professora, acho que vou fazer designe e ela disse, mesmo que de forma suave, que se ele fosse designer “deveria atentar a calcular as medidas”, ou seja, deixou passar a oportunidade de incentivar alguém que já tem sua realidade educacional prejudicada e ainda por cima colocou um empecilho desnecessário ao momento, ao invés de valorizar o diferencial dele diante dos outros resultados já que com os outros ela nada falou de relevante, ainda freou o ímpeto, mesmo que não passasse de uma fagulha, ela jogou água sobre a única chance que tinha de proporcionar um futuro a alguém.
 Depois disso ela propõe para que eles façam uma cadeira de material reciclável; perguntou a turma se já haviam visto cadeira com material reciclável, uma menina tentava dizer que já havia feito em outra escola, com muito custo quando finalmente ouviu a menina, sem perguntar a respeito de como foi, como era. Bastava a ela, então, apenas saber...? Porém ao que parece a feitura desta cadeira de material reciclado (sic) primeiramente era pra ser feito seu projeto desenhado e discursivo na folha sulfite.
Outro fato de destaque deste dia foi quanto aquele que havia faltado e que no inicio da aula estava participando - parece que já estava refazendo o modulo por várias vezes -, ele saiu da sala e foi para a rua, algo que “pega mal” aos professores dada a situação do local (que há grande concentração de trafico de drogas), o garoto disse que a diretora já ameaçou tirá-lo da escola. Eu, todavia, precisaria de mais tempo para identificar melhor seu perfil já que não aparenta ser alguém “marginalizado” a primeira vista, depois, inclusive deu a entender que talvez ele traficasse também.
Ao final da aula a professora começou a analisar os projetos das cadeiras, mas parece que apenas dois estavam atentos ao discurso da mesma e foram saindo enquanto ela falava sobre os valores do material reciclável.
No quarto dia havia cinco pessoas, todos homens, um que não estava presente em nenhuma das observações anteriores, tinha cara de menor de idade. Um que havia comparecido no dia anterior (o do desenho em perspectiva) chegou apenas na segunda aula. A professora continua a leitura da apostila junto aos estudantes. Tema de arte e ecologia, mas o assunto só fica na questão ecológica, nada se fala de arte. Ela levou um cesto feito de papel para usar de exemplo e um estudante (o mais velho) disse que eles produziram caixinhas daquele tipo com a outra professora. Isso deixou ainda mais claro a falta de interesse por parte da substituta de pensar uma aplicação artística em sua aula, sendo que ao fim da anterior perguntamos se havia materiais que pudéssemos usar em nossa aplicação e ela nesse tempo todo de substituta nem havia se interessado em abrir as caixas de materiais, por consequencia nem sabia da possibilidade de uso, disse que iria perguntar à parte pedagógica, porém no presente dia nos revelou que não havia feito.
Leram sobre a Bauhaus, mas o assunto ficou em torno do artesanato. A aula gira em torno de achismos, principalmente por parte da professora. Em nenhum momento ela traz questões atuais que entrariam no assunto, como consumo consciente, por exemplo; falta-lhe claramente conhecimento e modo de aplicar, ficando presa as perguntas da apostila.
Ao final o que fica é a tristeza, a decepção diante da condição do ensino público, e onde todo aquele papo de “mais educação” na realidade não é isso, ou injetar dinheiro ou reforma do ensino, se toda nossa cultura de formação social não mudar, se o medo, a falta de encorajamento continuar sendo perpetuado dentro das instituições de ensino, sendo que estas estão presas, amarradas por um sistema vertical de tantas leis a serem os agentes substitutos dos braços daqueles que não conseguem por potência individual proporcionar a mudança, e educação é mudança, é acesso ao conhecimento mediado por alguém que deveria ser capacitado a esta prática, mas ao invés disso, prova-se que o professor não passa de uma peça a serviço de um sistema que existe para satisfazer uma lógica arcaica de um serviço social desconexo da realidade temporal, assim como do espírito do homem deste tempo.

Diego Marcell
23/02/2017

7.5.17

LAVAGEM CEREBRAL NA UNIVERSIDADE




            Em época de “escola sem partido” do qual confesso não ter me detido e do qual me parece realmente carecer de melhor fundamentação, mas da qual concordo com seu problema gerador que é a unilateralidade das ideias ao serem impostas por um lado da sociedade que almeja implantar sua verdade como salvação da humanidade (ao menos aparentemente, já que intrinsecamente creio ser por puro desejo de poder) e do qual não me prenderei, pois creio haver literatura suficiente para irmos mais a fundo na questão sem cairmos no jogo empobrecido do discurso estático dos filhos bastardos de Marx, mas que precisa sim de uma atitude da qual lhes coloque sempre em questão, sobre seus próprios argumentos, e o fazemos, é claro, de forma elegante, não como desejam os iguais/opostos da extrema direita nacional.
            Atualmente curso o terceiro ano da licenciatura em artes visuais na Universidade Estadual do Paraná, e neste momento temos uma aula chamada Organizações Educacionais Contemporâneas, aquela típica matéria delegada aos pedagogos que nunca tiveram qualquer relação com nosso curso, mas vem apenas para depositar as funções a que foram destinados nos últimos tempos. Eu, carinhosamente, chamo esta aula de “lavagem cerebral”, não gratuitamente, são matérias que seguem este molde que corroboram às reivindicações de uma “escola sem partido”, pois com pedagogos completamente despreparados de argumento sólido e coerente é que se rompem a reflexão em âmbito acadêmico para impor-se o ideal assumido, os discursos prontos.
            Toda vez que abro minha caixa de correio eletrônico e avisto uma sequencia de emails da professora desta matéria, começo a ficar verde de enjoo, poderia listar aqui os textos usados durante todo o ano, dos quais vocês podem imaginar não existir um sequer que tenha sido escrito ou pensado por um pensamento liberal, anarquista, cético, conservador, pós-moderno ou outro, mas seguindo apenas a exclusividade acusatória de todas as linhas citadas, transformadas em muitas vezes num amalgama intitulado neoliberalismo, daquela esquerda mais barata, que é a reprodutora dos discursos prontos pra convencer incautos ao modelo Testemunhas de Jeová (ou seria Testemunhas de Karl Marx?), onde a cada semana posso ler apenas o primeiro parágrafo e rapidamente constatar que diz absolutamente a mesma coisa que havia sido dito na semana anterior, assim como na outra e na outra, como que para marcar, pontuar uma ideia, e da qual taxativamente irá se estender numa tortura ao intelecto mais livre até o seu fim.
            Eu poderia passar horas destrinchando estas aulas e tudo que a compõe, mas vou me ater apenas a um trabalho específico, do qual eu deveria de modo explicitamente ingênuo realizar um resumo de três textos, mas que ao invés disso resolvi apenas comentar, seguindo o trabalho na integra, já que o mesmo teve que ser editado para a entrega, pois excedia o número de páginas exigido.
           
Texto 1 - Concepção de Política Educacional, concebida como Política Social e a relação entre Estado e Política Social

            Quando proposto a falar, primeiramente sobre “Política Educacional, concebida como Política Social e a relação entre Estado e Política Social (texto 1)”[1] na matéria chamada Organizações Educacionais Contemporâneas, num texto dos anos 1980 que impõe a visão, não apenas antiquada, digamos assim, mas também um tanto envolta de sentimento conspiracionista, típica do fanatismo ideológico, advindo de grande sentimento de religiosidade transferido historicamente às concepções das ditas esquerdas, sinto assim o empobrecimento da minha execução de um texto que serviria a algo no âmbito universitário, que não seja apenas um cumprimento avaliativo institucional, sem qualquer reflexões, a não ser a velha reprodução de ideias unilaterais ao modo “copia e cola”, onde até mesmo a necessidade das citações vem somente como prova a corroborar com este jogo mecânico tão usado pelos discípulos de Augusto Comte quanto os de Karl Marx.
            Quando ainda se insiste num discurso de proselitismo coberto de necessidade, - necessidade de quê e pra quem eu me pergunto – já que focar unicamente neste inimigo gigante e abstrato do Capitalismo e de seus profetas – os capitalistas – das multinacionais e seus nomeados (por parte de quem?) burgueses que vem como ainda pequenos piões a enfrentar iguais num tabuleiro preto e branco definido por interesses externos, justamente por serem estes atores, pequenos piões que sob a égide do Estado burocrático servem de massa de manobra para fins de poder.
            Será então neste âmbito que devo analisar o capítulo pertencente ao “O que é política social” da famosa coleção “Primeiros passos” da Brasiliense ao dialogar com o que deveria ser contemporâneo em educação? Creio que não, sendo isso talvez nem merecedor de nota. Mas imagino que o desejo da proposta seja o de inserir-me neste universo irrelevante, fútil e se assim o são não pela temática, mas pelo contexto, onde apesar de tudo, devo projetar-me neste lamaçal para satisfazer mais uma propagação dessa educação positivista e moderna que vê e redefine classe pela tabela estabelecida nos corredores das fábricas a vapor.
            Enquanto o favorecimento de um Estado sob a concepção política diferente mesmo ao exercer pontos que irão favorecer o trabalho, mas por não pertencerem ao querer como fim da ideologia, esta o interpreta apenas como o negativo, enquanto qualquer prática deficiente da ideologia que se deseja, mesmo tropeçando a cada ato, tem como louvável e indigno de recusa e crítica, porque se crê no bem por trás de tal ideal. Evidente que não entraremos nas definições conceituais as quais caberia um extenso trabalho e do qual tranquilamente podemos encontrar sustentação teórica para a discussão, mas que também torna-se inútil a partir da leitura fechada, calcificada pela ideologia centenária. Portanto, baseado nisso, me utilizarei apenas do que me está próximo das mãos, por questão de saúde física mais que mental. Assim não me utilizarei do duplipensamento como é exercício recorrente neste âmbito, me focarei na pontualidade dos fatos e do que podemos retirar destas pontuais circunstancias, lembrando que se for necessário aplicar juízo de gosto como são feitos por estes teóricos manipuladores de palavras sem significado, já que a carência de etimologia, como sabemos, sempre foi uma constante nos governos totalitários e os que tendem de alguma forma pra isso.
            Segundo o autor, a educação, por exemplo, perpassa por uma luta que inclui várias classes[2], mas que, porém lutas desse tipo põe em risco a ordem capitalista[3], quando podemos observar por um viés sem classes e reconhecer que o avanço social é uma luta de todos, ou seja, quando grandes produtores de capital e pequenas peças desse grande sistema que é a sociedade devem ser beneficiados pois o mecanismo não roda sozinho numa máquina como o Estado, sendo que outras coisas deveriam estar em jogo e discussão e não essa delegação de certa responsabilidade generalizada à mecanismos específicos.
            De qualquer forma, parto ao próximo, já que a ambiguidade que se realiza com o interesse apenas da localidade dos objetos de reflexão, sendo à estes transposto o motivo de discussão de acordo com a geografia ideológica que se encontram.

Texto 2 - A relação das Politicas de Renda Mínima com a Educação

                        O próximo texto começa falando da “crise do capitalismo contemporâneo”[4] e do aumento do desemprego, quando é evidente que se vive muito melhor (falando em ambitos gerais) do que em décadas anteriores, que dirá em outros tempos, e que sim, evidente que aumenta o desemprego, pois aumenta cada vez mais a população quando não se tem nenhuma política de educação quanto ao controle de natalidade, parece que isso soa desumano, mas penso que desumano é fomentar a esperança na ilusão por viés romântico quando a crise humana tem um âmbito muito além do demônio capitalista em si.
            Aqui sendo a proposta como o título diz, fazer uma relação das políticas de renda mínima com a educação utilizando um texto que o propõe a tal assunto referente aos anos 1980 e 1990 me parece não fazer muito sentido objetivo no momento. Porque não se apresentam pesquisas referentes ao mundo atual, que seria referente à década de 2010?
           
Texto 3 - A relação da reforma do Estado no Brasil na década de 1990 e da Educação com a Pós-modernidade

            A autora do texto “A reforma do estado e da educação no contexto da ideologia da pós-modernidade” inicia apresentando a necessidade percebida por alguns órgãos mundiais e depois sua aplicação no primeiro mandato do governo Fernando Henrique Cardoso, do qual o Estado deveria se atualizar para poder efetivar certas ações com maior competência com a atualidade, porém, a partir de certo momento ela começa a projetar a carga ideológica do discurso do qual analisa também ideologicamente na forma de oposição, como se pós-modernidade de fato fosse uma ideologia, mais do que a possibilidade de abarcar alguma (ou deveria ser “algumas”?) em sua multiplicidade de ações, até mesmo, porque o termo visto pelos teóricos do termo, não possui seus pontos fechados, justamente como pensa a modernidade e os teóricos tardios que assim, irão falar do outro sob este aspecto, ou seja, incapacitando-o a si. Mas se o trabalho aqui é responder de acordo com uma linha de pensamento posta, podemos perceber que a autora viu nisso um mote para aplicação ideológica oposta, da qual esta teria como papel principal a efetivação do Capitalismo como agente desse mecanismo, quando utilizando o termo da “efemeridade”[5] recontextualizando ao desejo político do poder Estatal, este viria como contingência do poder dado ao dito Capitalismo.
            A regra deste mundo globalizado sendo ditada pelo mercado que, segundo a autora, inclui o que ela chama de neoliberalismo, assim como outras coisas, da qual ela afirma sem explicar, como a falta de rigor metodológico, sendo todo este pacote necessário para o funcionamento do novo Estado, conclusão que parece evidente e natural se se almeja participação econômica, do qual, convenhamos, nem os anteriores estavam isentos, assim como os posteriores.
            Já que a história mostra que o Estado burocrático, por não gerar dinheiro e apenas gastá-lo, tende ao empobrecimento geral, esta alternativa de que

através da implementação da propalada administração pública gerencial, visa-se à reorganização do Estado via a adoção de critérios de gestão que oportunizem a redução de custos, uma maior articulação com a sociedade para a definição de prioridades e a cobrança de resultados. Pretende-se, nesta lógica, tendo em vista a reprodução da ideologia do capital, a instituição de um aparelho de Estado eficiente e orientado pelos valores do novo paradigma de sociedade; um Estado racional de fato.[6]

Ainda assim o que a autora julga ser o filão de tudo é a manutenção da desigualdade, sendo que a ideia de valorizar a diferença (e quiçá, incluir nisso a liberdade dos seres humanos) é revertida em interesse capitalista pela desigualdade, apesar de não identificar onde de fato se aplica o interesse capitalista nisso, visto que o capital tem interesse no aumento de capital justamente para circular a roda do capital, enquanto o Estado, este sim, pelos meios de se manter no poder, pode visar a manutenção de classes para facilitar a ideologização que corrobora ao poder estabelecido.
            A autora não sustenta os termos desejados, vez por outra optando por “liberalismo” como o interesseiro de viés burguês, quando deveria atentar melhor aos sentidos conceituais dos termos dentro das respectivas contextualizações, do contrário fica fácil jogar uma miscelânea de ideias de sentido único pra sobrecarregar uma mensagem que se tenta escancarar de qualquer forma. É importante perceber que cada termo possui uma especificidade conceitual e é isso que constrói a linguagem e a construção do conhecimento humano, e não é fazendo ideologização de tudo que se promove algum avanço ou se chega a algum lugar. Inclusive parece absurdo, mas a autora afirma uma proposta liberal aludindo a uma obra chamada “Social-democracia e educação”, ficando evidente a falta de interesse pelas linhas de pensamento e suas particularidades, lembrando que no Brasil a aplicação do liberalismo nunca se deu e o mesmo nunca teve representatividade relevante no país... quando ao decorrer do assunto, até mesmo a diminuição da burocratização da qual ela usa como argumento, de fato está muito distante de se aproximar de uma prática realmente liberal por parte do Estado, ficando restrito a pequenas reformas pontuais muito mais do que uma aplicação ideológica (aqui de sentido restrito) ou como pensamento de linha política como entendimento de um governo centrado em tal noção.
            Segundo a autora do artigo, a pós-modernidade exigiria novo paradigma, sendo que um dos fatores intrínsecos da pós-modernidade é findar paradigmas, pois é incapaz de estabelecer verdades, sendo assim, pode-se constatar que em momento algum a aplicação de pós-modernidade se dá na esfera do Estado, pois o mesmo necessita dos mecanismos (pelo menos nos moldes de aplicação até hoje realizados no Brasil) do qual vem se servindo há tempos para funcionar, quando, então se fala de qualquer índice que supostamente pertenceria a pós-modernidade, o que se pratica é tão somente isolar qualquer aspecto e inseri-lo no contexto estabelecido, e isso de modo algum constituí uma possível prática pós-moderna ou sua aplicabilidade.
            Ela aponta que vários fatores pensados por esta educação da qual ela já chamou de liberal, neoliberal, burguesa e pós-moderna que visa a igualdade de gênero, o acesso de deficientes, a proximidade destes com a sociedade, a equidade, a liberdade, o pluralismo, a tolerância, a solidariedade[7], inserção de grupos minoritários, preocupação com questões ambientais e outra que condizem a realidade, que tudo isso seria apenas para tirar o foco daquilo que – fica evidenciado no texto – seria o grande fim de toda a sociedade, a grande verdade a ser pregada e praticada, que é a luta contra o Capitalismo[8], ou seja, fica claro que o intuito é tão somente este, que resulta em perceber a massificação/agente dos interesses da ideologia escolhida, deixando à mostra o sentimento religioso salvífico presente nesta leitura de mundo da qual invariavelmente devemos nos juntar. Entendo assim, que o Estado via de regra, deve submeter-se também como um bloco fechado a esta abstração, sendo ele a materialização da ideia como meio para o fim, que é certamente, a Utopia. Ou seja, segundo a lógica dos argumentos da autora do artigo, a escola deve mesmo ter como única serventia a criação destes objetos que comporão a massa uniforme, sendo assim, quanto maior for o rigor institucional da educação, maior será sua efetividade como manutenção do poder estabelecido, pois a grande serventia da mesma não deve ser a propagação da equidade, a possibilidade da autonomia, nem o desenvolvimento pessoal e o autoconhecimento, e sim a luta contra o Capitalismo, e pra isso o entendimento da sociedade como classe vem para corroborar à obrigatoriedade da população aos ditames das leis cada vez mais coercitivas.
            Realmente o que aprendi com a pesquisa da autora em seu doutorado é que a educação como

espaço da solidariedade e do desenvolvimento de talentos pessoais e coletivos, a preocupação em tornar os indivíduos eficientes, produtivos, e uma responsabilização individual pelo alcance ou não dos objetivos pessoais e coletivos. [...], a recomendação de que não se deixe de explorar [...] nenhum dos talentos que constituem como que tesouros escondidos no interior de cada ser humano. Memória, raciocínio, imaginação, capacidades físicas, sentido estético, facilidade de comunicação com os outros, carisma natural para animador[9]

nada disso está certo, pois vem apenas para esconder a verdade, que é a manutenção da desigualdade imposta pelo Capitalismo, apesar de se pregar o acesso a todos e o desenvolvimento do indivíduo, ainda assim serve apenas como para manter o “padrão atual de acumulação do capital”[10], não importando que o indivíduo desfavorecido “vença” na vida, já que não seria correto termos vencedores, isto implicaria a subjugação do outro, oprimindo-o, resultado do imperialismo aplicado às relações pessoais, e ao atribuir a responsabilidade pelo ato individual fomentamos assim a desigualdade[11] e é claro, isso não é desejável por parte dos bons, e como todos são bons em essência (como nos ensinou Rousseau) e a essência maligna é o componente principal do Capitalismo, ou seja, a força externa que a todos corrompe, nada mais correto que a submissão aos ideais do mestre incorporadas pelo Estado burocrático. Agora só resta saber quem criou o Capitalismo com sua essência do mal.


Diego Marcell




[1] BLUM, Márcia Sabina Rosa. ORIENTAÇÕES PARA A AVALIAÇÃO DA UNIDADE I.

[2] FALEIROS, Vicente de Paula. O que é política social. 1991, p. 62.
[3] Idem. p. 63.
[4] OLIVEIRA, Dalila Andrade; DUARTE, Adriana. Política educacional como política social: uma nova regulação da pobreza. 2005, p. 208.
[5] ZANARDINI. A reforma do Estado e da educação no contexto da ideologia da Pós-Modernidade. 2007, p. 248.
[6] Idem. p. 252.
[7] Idem. p. 263.
[8] Idem. p. 262.
[9] DELORS in ZANARDINI, 2007. p. 265.
[10] ZANARDINI, 2007. p. 266.
[11] Idem. p. 267.