Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens

22.7.17



Não faço “teatro” para o ator, nem faço “teatro” para a plateia, faço “teatro” para o teatro.

Diego Marcell
04-12-2016

5.11.15

A vida no palco é perfeita, com suas iluminações e figurinos. Poderia a vida ser simplesmente uma peça, ao levarmos à intangibilidade da verdade a encenação que se concentraria num aperfeiçoamento nos atos daquilo que é (nós mesmos), ou seja, atuar é ser, não outra coisa, mas um eu cada vez mais consciente devido a autoexperimentação.

Diego Marcell

16-11-14

31.7.15

Uma proposta de dramaturgia niilista


            Expor temas é fomentar ideias, por isso me irrita a dramaturgia dramática ou a comedia contemporânea, em minhas peças, sejam encenadas ao vivo ou em vídeo, só me importa a expressividade mínima, o blasé e o surreal como arma misancenica; o minimalismo é para valorizar o texto, este sim é o que importa nelas, o discurso, mesmo que vazio e nonsense, nele deve estar todo espectador; já o blasé do ator se deve a reprodução de uma sociedade contemporânea que importe, para isto fomentar este tipo de atitude em oposição aos berros das telenovelas que fomenta somente relações ridículas nas classes suburbanas que são fãs deste tipo de encenação (não por uma crítica de juízo estético propriamente dito, mas por uma inserção ao meio, como contingente de uma sociedade assim construída e ratificada pela mídia de massa), estes levam à realidade o absurdo de relações escandalosas e escancaradas cheias de caras e bocas; eu, ao contrario, busco a serenidade do rosto sóbrio, pois só os olhos revelam a verdade da alma, ou as mascaras em se tratando de atividade cênica.
            O conteúdo de meus textos trazem a poesia embutida no fato narrado, por ser esta que interessa na boca dos atores, e quando necessário a filosofia colocada em pratica em fatos expressados como relatos destes personagens que podem ser representações sociais, culturais ou individuais. Quando o nonsense sobressai é por desejo desta poesia e dessa reprodução no fragmento do absurdo do todo, desta vida, sendo a poesia a arte em palavras e não um campo da literatura somente, é que utilizo o banal e o lirismo como bases para outros meios.

Diego Marcell

09/11/2013 

1.4.15

Videoteatro


            “A alegria com o belo é completamente desinteressada... o belo é objetivamente belo, isto é, para todos.” (Schopenhauer)
            Não podemos incorrer na necessidade de uma arte participativa como exclusividade. Aqui podemos fundamentar com Schopenhauer e ouvir o povo, que se em momentos e “climas” quer uma participação total ou parcial (limitada) num objeto ou “momento” artístico, há de se perceber a realidade da arte como contemplação, onde o físico dá espaço ao espírito e já não o é para o momento, mas para o sempre (o além-estar). Agora, pensar que a partir do novo mundo sempre que iremos a um teatro como público, teremos que participar e até atuar, é ridículo; eu quero sentar, seja na caixa preta, na rua, ou na frente do computador e me deixar captar por algo que alguém (diz) que tem a me dizer. Se não tem, também, este espetáculo não merece ser visto, só em nome de uma exigência contemporânea, que aí sim no roubo do tempo alheio quer que este compactue para se eximir da falta que vem causando em nome da arte, mas só em nome.
            Por sempre o ser humano nesta necessidade fútil de colocar limites num conceito que sabemos muito bem o que é, dizendo que teatro de internet não é teatro, ou só o “ao vivo”; por quê? Se o espaço foi abolido, qual o problema de abolir o tempo? O fato de eu ver uma imagem que foi executada (feito) a dois dias, ou a cinco anos, anula minha ligação de presença, se como publico eu estivesse vendo simultaneamente, mas no mesmo computador, pra mim será sempre como um tempo sem necessidade, mas o efeito e o fim segue igual como realização artístico/teatral, presença da teatralidade e publico. Nesta realidade virtual, com sua graça, me permite presenciar fatos e atos dos anos 20, onde aqueles artistas vivem naquele momento com seus 18 anos, com sua força física, graças ao cinema e agora ao cinema na internet e logo a seguir o vídeo na internet, ou melhor, não a seguir, mas simultâneo a partir do cinema (tempo), na internet (espaço) e a realidade (eu).
            Se pra Schopenhauer no belo tudo que é individual cessa, o útil ou agradável é de natureza subjetiva – ‘os fins são individual-subjetivos.’
            Como vamos alcançar uma coerência disto na arte contemporânea, como ter a contemplação pura se não permanecemos mais que sete segundos a frente de algo? Talvez agora nós transpomos estes conceitos de Schopenhauer pra outra forma de arte e eles se modifiquem ou transmutem em outro sentido, quando talvez aqueles já não existam. O útil recorre a esta participação, a este compartilhamento, a esta co-criação. E o belo já não isento de satisfação (se isso não for possível ou isento se for realmente possível em algum caso), mas desinteressado quanto o “eu” que necessita estar, o belo existirá no não-estar desse “eu” múltiplo e vazio para dar lugar a estadia do espírito monista e cheio, que é onde ainda há o ‘mero conhecimento’, que não sendo do interesse, já não cabe neste mundo pós-moderno.

Diego Marcell

23/12/2012 – 04/01/2013

31.3.15

Videodramaturgia e videoimproviso, videoteatro e docteatro


Dou inicio aos estudos de um audiovisual hibrido das artes cênicas e do vídeo. O 1º eu chamo de videodramaturgia já que o termo dramaturgo é destinado àquele que escreve peças, na videodramaturgia o que acontece é a encenação da peça, não de forma cinematográfica, portanto, não-ficção, não-filme, mas sem necessidade de público ou plano sequencia, nem é destinado a transmissão ao vivo, portanto não-teatro. Claro que o termo dramaturgia me parece um pouco ultrapassado no momento, mas dentro da necessidade permanece hoje.
O 2° é o videoimproviso que dentro de determinado jogo de cena os atores executam uma ação real, também filmada sem necessidade de transmissão ao vivo ou público, em lugar forjado ou ao acaso, entre pessoas diversificadas ou não.
Todas estas situações ocorrem pela necessidade videatica e buscam como fim o livre acesso da rede mundial de computadores, elas perpassam a performance e o happening, como acaso e influencia, mas não se prendem a estes, se prendem sim ao vídeo e ao digital, alem da livre manifestação (comunicação) de informação pela informação e da arte. Tendo nisso tudo o audiovisual como aquilo que agrega as expressões do corpo e a reflexão teórica (texto) através da mescla num único (ou em diversos dentro do único) fazer artístico e estético os objetos da filosofia, interpretação, poema, dança, música, body art, artes visuais, jogo...
Já no videoteatro a encenação segue o tradicional = texto-ator-público, mas não segue o ambiente do teatro, ele se passa no ambiente real que a cena escrita se dá, onde o público se porta como fantasma a observar um ato real de epifania cênica como assistir a um filme sem a tela do cinema. Tudo, porém, é acompanhado com uma câmara que não ignora o público, mas pode ser manipulado livremente na montagem, servindo como eternizado do efêmero.
No docteatro eu coloco uma proposta de interação do ator com um objeto escolhido arbitrariamente segundo um propósito. Neste caso o texto se funde ao ator partindo do objeto e a plateia é a própria equipe que trabalha no documentário. O ator terá um espaço limite para “criar” baseado no sentimento que o objeto gerou nele naquele instante, aí segue o processo de gravação já realizado anteriormente, neste caso a manipulação da edição é restrita quanto ao ato do ator, nos fatos marginais a isto o editor/criador poderá exercer seus propósitos estéticos.

Diego Marcell

20/12/2012

22.3.15

No teatro – o ator


            O ator é um deus que possui os mistérios de um personagem que age segundo um espírito textual e um contexto físico.
            Nos seus olhos se esconde e se revela um ser que possui uma alma determinada e é possuído pelo determinado. Mas só se faz possível no real, no jogo, no lance. Rouba o desavisado e brinca com o preparado, o ensaiado e o determinismo.
            Se consumido pelo ritual, e transcendido em divindade, então faz no acaso, epifania.
            Fechado em metafísica, manifesta-se em dança, nasce em outra Era, conhece outro mundo.

Diego Marcell

09/11/2012