Hoje o futebol renasceu na tradição de
uma cultura. Os sul-americanos tiveram de volta o que haviam perdido de suas
memórias. A perfeição de um desejo se materializou na épica mensagem que o
futebol resolveu trazer do seu passado, Argentina e Uruguai, irmãos? Vizinhos?
Caim e Abel? Não sei, só sei que a mística e mítica camisa 10 nos deu o prazer
da sua presença nesta noite.
Se de um lado um clássico modelo grego é
formado no Uruguai, quando pega a bola de frente para seu objetivo, executando
o que a eficiência não tardaria de requerer, aí temos Forlán, o Hércules no
meio dos totalmente mortais.
Do outro lado temos a renovação da
história, eu que não tinha esperanças de ver tão cedo alguém que escancararia a
porta da galeria de gênios tão brevemente, já que em Las Vegas não deposito
todas minhas fichas em Neymar e ainda acho cedo para fazer com P. H. Ganso;
avisto no pé esquerdo de um nanico com cara de bobo o substituto dos “fora de
série” Ronaldo, Zidane e Romário, que foram os remanescentes do século passado
no III milênio que agora não precisamos mais voltar os arquivos para ver, pois
temos em Messi o espírito vivo do craque que não vive de lapsos, mas é o
próprio lapso de surpresa e mágica. Não que numa Argentina apagada ele seja o
salvador, mas que o mundo pode ver o que a tempos não se via.
Num jogo onde Lugano, zagueiro Uruguaio
era o centroavante que cabeceia e o atacante Soares o intocável busto na praça
de Montevidéu, graças a sua defesa na Copa de 2010 e também ele é em sua
certidão de boleiro o legítimo peladeiro, o brigador, o representante antigo em
época de profissionalismo excessivo. Mas o personagem símbolo deste jogo, o
muso de Nelson Rodrigues, é o surpreendente goleiro Muslera, um menino que é a
materialização da calma, da tranquilidade e da certeza que nele habita
independente do que o mundo pense. Muslera foi Gaia, foi superior a Messi e
Forlán, foi possuído por Rodolfo Rodrigues quando Tevez cobrou a falta e
desviou na barreira e sobrou para Aguero, neste momento Muslera foi mais que um
goleiro de futebol, foi o goleiro de Handebol que se entrega para o abate
quando se desarma de tudo para dar a vida pelo seu time.
Num jogo de 120 minutos onde a bola ou
está próxima de um gol ou de outro, não existe meio termo quando se fala de
elefantes, porém quem o intruso, aquele que foi condenado pela tradição acabou
enterrando o maior dos elefantes em seu próprio habitat. Numa batalha de
guerreiros que crêem nas histórias dos seus antepassados, Tevez foi o ingrato e
rebelde ao não ritualizar sua presença em campo. Se Aguero é o melhor camisa 9
que podemos ver, Tevez só serve para saciar os delirantes corintianos, pois
Aguero nasceu para ser personagem de livro de história, é o típico centroavante
que cumpre com seu papel e vai além, é guerreiro, mas é suave; já seu
contraponto Soares é o bobo que sem querer salva o rei e tem sua aposentadoria
garantida para o resto da vida.
Gols anulados, bolas na trave, pênaltis
bem batidos, a história foi escrita de forma tão linear e bem desenvolvida
pelos deuses que hoje no Olimpo da Bola tem festa, os deuses bebem o vinho
Argentino comendo o churrasco oferecido pelos Uruguaios.
Diego
Marcell
17-07-2011
Sobre Argentina 1x1 Uruguai (4x5 pênaltis) quartas de final da Copa América.
Sobre Argentina 1x1 Uruguai (4x5 pênaltis) quartas de final da Copa América.
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