31.7.15

Uma proposta de dramaturgia niilista


            Expor temas é fomentar ideias, por isso me irrita a dramaturgia dramática ou a comedia contemporânea, em minhas peças, sejam encenadas ao vivo ou em vídeo, só me importa a expressividade mínima, o blasé e o surreal como arma misancenica; o minimalismo é para valorizar o texto, este sim é o que importa nelas, o discurso, mesmo que vazio e nonsense, nele deve estar todo espectador; já o blasé do ator se deve a reprodução de uma sociedade contemporânea que importe, para isto fomentar este tipo de atitude em oposição aos berros das telenovelas que fomenta somente relações ridículas nas classes suburbanas que são fãs deste tipo de encenação (não por uma crítica de juízo estético propriamente dito, mas por uma inserção ao meio, como contingente de uma sociedade assim construída e ratificada pela mídia de massa), estes levam à realidade o absurdo de relações escandalosas e escancaradas cheias de caras e bocas; eu, ao contrario, busco a serenidade do rosto sóbrio, pois só os olhos revelam a verdade da alma, ou as mascaras em se tratando de atividade cênica.
            O conteúdo de meus textos trazem a poesia embutida no fato narrado, por ser esta que interessa na boca dos atores, e quando necessário a filosofia colocada em pratica em fatos expressados como relatos destes personagens que podem ser representações sociais, culturais ou individuais. Quando o nonsense sobressai é por desejo desta poesia e dessa reprodução no fragmento do absurdo do todo, desta vida, sendo a poesia a arte em palavras e não um campo da literatura somente, é que utilizo o banal e o lirismo como bases para outros meios.

Diego Marcell

09/11/2013 

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