Expor
temas é fomentar ideias, por isso me irrita a dramaturgia dramática ou a
comedia contemporânea, em minhas peças, sejam encenadas ao vivo ou em vídeo, só
me importa a expressividade mínima, o blasé e o surreal como arma misancenica; o minimalismo é para
valorizar o texto, este sim é o que importa nelas, o discurso, mesmo que vazio
e nonsense, nele deve estar todo espectador; já o blasé do ator se deve a
reprodução de uma sociedade contemporânea que importe, para isto fomentar este
tipo de atitude em oposição aos berros das telenovelas que fomenta somente relações
ridículas nas classes suburbanas que são fãs deste tipo de encenação (não por
uma crítica de juízo estético propriamente dito, mas por uma inserção ao meio,
como contingente de uma sociedade assim construída e ratificada pela mídia de
massa), estes levam à realidade o absurdo de relações escandalosas e
escancaradas cheias de caras e bocas; eu, ao contrario, busco a serenidade do
rosto sóbrio, pois só os olhos revelam a verdade da alma, ou as mascaras em se
tratando de atividade cênica.
O
conteúdo de meus textos trazem a poesia embutida no fato narrado, por ser esta
que interessa na boca dos atores, e quando necessário a filosofia colocada em
pratica em fatos expressados como relatos destes personagens que podem ser representações
sociais, culturais ou individuais. Quando o nonsense sobressai é por desejo
desta poesia e dessa reprodução no fragmento do absurdo do todo, desta vida,
sendo a poesia a arte em palavras e não um campo da literatura somente, é que
utilizo o banal e o lirismo como bases para outros meios.
Diego Marcell
09/11/2013
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