9.7.15

Androides andróginos


            Cheguei a conclusão que a historia como linguagem, contação e teoria é mais interessante que os acontecimentos em si, como ato, fato e tempo. A palavra materializa de forma maior que a própria matéria e concretude da coisa, o signo exposto à memória através da identificação por sua leitura é tornado superior que o signo-em-si, ou seja, fenômeno pré-linguagem, já que o ato é por si só a antecipação da linguagem, apesar da mesma gerar atos, mas o único ato simultâneo de linguagem e fenômeno é a escrita no momento da mesma e a fala original, do homem ou do papagaio, não a do Google, não a digital ou de fita magnética, estas já passaram, não pertencem ao “agora” das cordas vocais, salve quando desta se façam hibrido no interior do homem, cyborgs, não robôs estes do sentido que se convencionou na contemporaneidade.
            No físico a única coisa que está sobre a linguagem é a transcendência, alguma espécie de contemplação, destas possibilidades a única que se pode analisar ao certo, puramente e organicamente é o orgasmo, as demais ficam restritas a contextos individuais; no caso das drogas, a linguagem ainda continua fortemente influenciando as (meta)aliterações que a própria mente produz por sua submissão ao estado humano, no orgasmo porém, as energias trabalham de outra forma e para outra forma, nisto não entrarei, pois não pertence a minha área, de forma parecida se dá no campo espiritual, mas aí teríamos que recorrer aos psicólogos, o que também não convém no momento imediato do texto.
            Vamos partir para uma questão prática, espero conseguir voltar mais a frente em outras tantas questões que deixei mais acima, como minha mente tem sofrido grandes falhas de palavras recentes, estas chamariam outro tema que brota de outro de onde ela estava, isto faz com que algumas se percam e retornem muito mais tarde, logo, ou nunca mais.
            A questão pratica: tem escapado ao nosso mundo as proto-ciber-estéticas que são aquelas que nos trouxeram no pós 2ª grande guerra as questões (apesar de já serem levantadas na 1ª grande guerra em certo sentido), agora com a onda neo-hippie, o artista/comunista, e o new age tardio, fez com que certos ambientes, artistas e fenômenos se apresentassem incoerentes, assim como não convém ao metaleiro os acessórios do sertanejo este mesmo exemplo se rompe nas contradições do mundo real, isso tem causado certo desconforto, não que eu ache que devam necessariamente existir os subgrupos delineados, ao mesmo tempo que não sei se eles seriam capazes de findar-se, mas o que eu quero dizer, ou melhor, o que Cazuza quer dizer é que as ideias não correspondem aos fatos.
            Vou criar um novo clube, clube como casa de show, casa de show como ambiente de arte, ambiente de arte além de galeria, cinema, auditório, teatro, pista de dança ou suruba, um lugar...?, hoje vai começar tocando musica indie dos anos 80, ou da Grécia contemporânea, alguns querem viajar, obvio, temos LSD ou coisas mais “susse” como maconha, todos são livres, quero dizer, um só queria meditar, e pode! Por que não? Pode ser que tenhamos mais salas, numa onde as paredes são pretas e as luzes piscam frenéticas, duas garotas se beijam, a de cabelo curto não é lésbica, uma guitarra toca, na verdade improvisa sobre os computadores, couro sintético, tudo bem, ninguém é perfeito, mas era tão melhor o cheiro do couro de verdade!
            Na outra sala, mais intimista, uma luz verde rebatida, tocam citar e outros instrumentos que não sei o nome, três meditam, dois destes fazem pose, só um transcende, outros assistem, um dorme, três, quatro se tocam, se tocam por debaixo das blusas, das calças, das cuecas, das calcinhas, não, não tem calcinha, pau pra fora, tem uma garrafa de vinho, e algumas variedades de ervas, vai rolar uma peça, uma intervenção? Uma performance, opa já começou, eram eles mesmos e mais outros, aqueles não estão nem aí, e outros que lá estão nem eram convidados, mas havia convite? Esta é a grande incógnita, alguém imprimiu flyers e espalhou pela cidade? Se sim, quem pagou por eles? Haviam patrocinadores? Quem faria isso, se queremos acabar com as leis comunistas, se isto ainda estivesse em vigor no tempo da festa, ninguém transaria e não rolaria nada daquilo, principalmente com os desavisados, portanto, aqui nasce uma questão chave e das mais importantes, como isto se deu? Quem produziu ou organizou os shows? Quem eram os músicos? Quem são os teóricos mais lidos por estes jovens?

13/12/2013

            O androide representa isso, essa atualidade, ele é autorreferencia sem devir, sem família e principalmente, sem alma, seu espírito é forma, caso-objeto no acaso lógico, ele chega onde a natureza não pôde, é a extensão do homem por ser sua evolução natural, esta sendo possível apenas no artificial; ele é a tridimensionalização da razão; feitura, materialização e real(ização) do abstrato.


12/02/2014

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