Conversando
com um amigo bailarino, nos perguntávamos qual o sentido da dança, esta
pergunta me suscitou varias reflexões que são feitas externamente a qualquer
sentido da “arte da dança”, mas que são levados para o campo pratico do
popular, do leigo e do público.
O
dançarino se assemelha ao atleta, tendo talvez o esporte mais atrativos para o
público que a dança, menos conceitos e mais possibilidades; se aproximam, porém
no fato de ambos conseguirem mexer com aspectos da vida humana que
primeiramente alcançam o físico (diretamente) e logo depois a sensibilidade. Ambos
praticam o limite corporal dentro das possibilidades características do
individuo, e num passo a frente exercem segundo seu estado psíquico a margem do
que podem ser como arte. Sendo assim o prazer se aloja como fundamento do ato,
tendo que encontrar em similares praticantes o seu público.
No
esporte o erro é deus, na dança como espetáculo previamente planejado isto é
anulado, mas se houver um rompimento de paredes e se possa transformar o espetáculo
em semi-projetado, a dança pode encontrar seu semideus chegando mais perto do metafísico,
sendo este o pai da dança como expressão artístico/cultural; o movimento antropológico,
religioso e sexual nascido com a civilização se “formalizou” em ‘conceitos
modernistas’, matando sua metafísica, sendo esta restrita a shows de rock. O semi-projeto
seria o espetáculo onde o roteiro ficaria restrito aos dançarinos previamente
chamados para o mesmo e anulado ao público que deveria deixar de ser um
contemplador do prazer alheio, mas a seu modo, beirando o metafísico, também dividisse
o espetáculo.
Oposto
a isso temos a dança contemporânea como artes visuais orgânicas, onde o público
é contemplador da forma, se, porém recorremos à nova tendência que as artes
visuais adquiriram, ou a proposta do semi-projetado como a ‘dança design’, que
é a apropriação espacial da arte, como necessidade visual e porque não, orgânica?
Diego Marcell
02-08-12
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