Manifesto
por uma educação livre
A
condição que se apresenta a educação brasileira é tão broxante diante do seu
atraso metodológico e de conteúdo, além é claro da cadeia de mediocrismo que vem
sendo implantada desde as series iniciais e que perpetuam com todo gás incutido
na formação e continuação de professores e alunos, que fica praticamente impossível
argumentar num âmbito que seria próprio para isso, já que a padronização da
miséria intelectual comanda todos os campos de atuação e realização do que
chamam educação, mas que na verdade está mais para uma segmentação de modelos
de implantação, já que mesmo quando se propõe a discussão se está sujeito a uma
normatização de comportamento que não pode ser alterado, pois quando isto
ocorre todo restante se sente atacado por um inimigo ilusório criado pela ignorância
e transformado em mito, pois é inviável chegar onde a incapacidade não permite,
desta forma, a chamada educação brasileira obriga a baixar o nível de
comparação e não se almeja nada além de uma condição rasa de instrução e
diálogo, sendo assim, continuamos eternamente a formar educadores medíocres e
incapacitados de encontrar alternativas, e continua a se propagar o mais baixo
dos sensos comuns.
Fica
cada dia mais difícil frequentar a universidade, já que são raros os
professores que instigam realmente o novo e quando estes exercem seu trabalho louvável
de destaque diante da homogeneidade, vê-se o quão difícil é para eles manterem
seu padrão autônomo com alunos tão ineficientes e colegas propagadores desta ineficiência.
Me
indago diariamente ao ser um graduando da faculdade de artes visuais, do por
quê de a existência da academia nos moldes atuais, já que o que fazemos lá não passam
de linguagens ultrapassadas (com exceções aos já comentados professores que são
os mesmos em sua maioria a apresentarem matérias que mais condizem a
contemporaneidade e não apenas como conteúdo de seus cursos, mas também como discussão
teórica do que se realiza), e essas linguagens ultrapassadas apenas nos colocam
como de fato mortos vivos, no tumulo do mundo que é um país como o Brasil, que constrói
sobre a incoerência e o misticismo a sua ciência absurda que não serve a ninguém
além do próprio poder de um Estado gigante que pretende amamentar eternamente
seus filhos para que os mesmos não possam voar.
Mais
absurda ainda são as matérias relacionadas a educação, obrigatórias nos cursos
de licenciatura, onde os professores insistem em ideologias do século XIX e não
variam em nada de seus batidos teóricos unilaterais, além é claro da evidente e
mais declarada de todas expressões de miséria intelectual realizada pelos
cursos de pedagogia que vem a criar única e tão somente reprodutores de uma película
tão fina e sem consistência de conteúdo propriamente dito, mas que reproduz
velhos chavões terminológicos que na prática não favorecem a aluno algum a não ser
a um método que mesmo que refutado teoricamente pelas próprias faculdades de
pedagogia na pratica vemos que nunca foram aplicadas e nem podem, pois estes
mesmos pedagogos não possuem embasamento suficiente para realizar, ou seja, o
belo discurso continua sendo vazio apesar de dizer o oposto e o criticar, não passando
portanto de uma autoilusão. É evidente que deveria ser repensado o papel das
matérias de educação nos cursos, onde os professores deveriam ter um dialogo
mais direto com os mesmos ao invés de serem apenas deslocados dos campos vastos
da pedagogia aos cursos superiores, pois estes pedagogos claramente não sabem
das peculiaridades que cada curso exige em sua própria pratica de ensino.
A
heteronomia institucional que este grande Leviatã impõe à construção curricular
dos professores é claramente um dos culpados, mas não pode ser usado de pretexto
para que os mesmos não levantem dos seus berços esplendidos dos títulos de
mestres e doutores e arrisquem na pratica e na vida, já que este dualismo
também deveria já há muito estar superado, e façam valer o título e seus
discursos, mas principalmente que esqueçam as utopias do inicio da modernidade
e finalmente apliquem-se no tempo presente, pois é o presente que mudo o futuro
e não as inúmeras formas de pintar projeções e sonhos.
Evidente
que num país que se convencionou e se acostumou as convenções de miséria humana
de todos os campos possíveis, deixa claro que os títulos não dizem muito e que não
podemos esperar que diplomas definam sujeitos, pois isto permanece a ser
reflexo dessa cadeia construída sob os parâmetros toscos da inviabilidade, o
que não podemos permitir como indivíduos é que sejamos obrigados a nos reduzir,
a nos rebaixar e a nos ajoelharmos diante da mediocridade geral em nome da inconsciência
coletiva e assim darmos nossas valiosas vidas nas mãos daqueles que não valorizam
nem as suas próprias. Não aceito ter que viver numa sociedade orwelliana onde minha única liberdade é
poder pensar de forma correta mesmo que não o possa dizer, desta forma que este
texto não é um ataque a pessoalidades, mas um chamado à consciência dos que
ainda podem salvar a si mesmos, não por mim ou por qualquer força externa, e sim
por suas intimas vontades, que não sucumbamos nós também ao comodismo da
mediocridade e aos costumes do absurdo, lutemos não por bandeiras predeterminadas
por ideologias destituídas de essência e por hipocrisias travestidas de bem,
mas por uma transvaloração da condição de sujeito, derrotando assim pela experiência
todo e qualquer dogmatismo, mesmo que estes tragam uma legenda de libertação,
precisamos saber que não o são, precisamos ir além das respostas prontas e
acabadas do mundo moderno, precisamos de fato romper a velha moral e não apenas
substituí-la, precisamos ser intransigentes com os preconceitos de todos os
tipos e não apenas com aqueles que arbitrariamente nos agradam.
Precisamos
finalmente por em pratica certos discursos que têm sido batidos no âmbito da
educação, mas que nunca vimos aplicados, e salvar as boas propostas ao invés de
atentarmos aos discursos totalizantes e descontextualizados de certos teóricos,
precisamos realizar juntamente com nossos colegas e quando digo colegas não segmento
por um estado temporário que as pessoas possam estar no dia de hoje, mas
precisamos sim realizar juntamente esta compreensão de que fazemos a sociedade,
tanto professores, como alunos e funcionários, somos todos e estamos todos no
mesmo barco, sendo assim, principalmente ao falarmos de cursos de licenciatura,
precisamos pensar juntos. Entendo que para muitos, provavelmente a maioria, o
interesse e a comodidade deste interesse prático faz com que seja incoerente
com a teoria que se faz necessária e propagar a mediocridade para não “sofrer”,
já que sabemos que os discursos também esbarram nas vírgulas dos interesses
específicos destes sob órgãos burocráticos que mais a fundo são os seres
pensantes de toda esta cadeia. Enquanto um tiver o rabo preso ao outro, desde a
primeira vez da criança na escola até a conclusão do seu doutorado, enquanto
calarmos diante da mãe que insiste em amamentar um bebê desproporcional, e
acatarmos a todas as decisões vindas de conluios ideológicos e disputas de
poder, enquanto isto ocorrer, não passaremos de uma sociedade cada vez mais
retrógrada independente dos meios e das lantejoulas; estaremos contribuindo ao desserviço
que é a educação brasileira e consequentemente contribuindo em ampliar o abismo
que nos separa do terceiro milênio.
Não
podemos aceitar mais a insistência num único ponto de vista propagado pelos
educadores, e sendo inclusive por este ponto de vista estar sujeito a um tempo
histórico que não há nenhum interesse e esforço de ser realocado à realidade de
sua aplicação ou mesmo que exerça um dialogo aberto com as novidades ou
variantes possíveis de serem postas sobre a mesa; que a educação publica venha
a ser múltipla, para enfim servir a um povo múltiplo, ou seja, característica do
brasileiro. Precisamos sim, ser pedra no sapato dessa gente que de forma
vertical aplica ao bel prazer numa limitada possibilidade de ação/reflexão suas
“crenças”, por isso eu repito que devemos fugir dos misticismos da educação
nacional, trauma, talvez, de longos períodos que passamos sob governos
autoritários, mas que no presente não incorramos em cair no mesmo erro mesmo
que velado; por isso precisamos insistir que a educação seja livre, e para
tanto as vozes precisam ecoar à liberdade!
Diego Marcell
24/7/2015
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