28.7.15

Oficialmente meu único inimigo possível é minha mente


Oficialmente meu único inimigo possível é minha mente, ao mesmo tempo que ela me derruba com um simples e frágil desnorteio da linguagem e me leva a profundas depressões, sempre foi através dela, inimiga e escudo mitológico de um eu alterado desde do nascimento que construí muralhas capazes de enganar os ataques e barrar os dardos que um capanga - mandado por um diabo que habita em mim - arremessou, ele é dois, sem duvida ele é dois, assim como o deus dos cristãos é três, meu inimigo é meu herói, meu adversário é meu guarda-costas, e isto em termos bem díspares, é realmente paradoxal, e eu não tenho como explicar como isto se dá.
Levando em conta este ente, e por sua culpa tenho dificuldade de lidar com os elogios, por mais seguro das minhas qualidades o elogio sempre se materializa duvidoso diante de meus olhos, talvez por isso uma construção tão complexa foi criada a ponto de eu não me fazer estigmatizado pelo mundo, apesar dos professores que sempre declararam minha derrota, e da fala de todos a minha volta almejando o pior. Não levei nenhum deles sobre meus ombros, mas os transformei em degraus que me davam prazer de pisotear. Talvez por isso também sempre me senti mais a vontade diante de inimigos declarados, sempre me senti seguro diante de quem queria passar sobre mim para seguir, e eu posso dizer que sempre segui...meu maior prazer como futebolista foi ter uma torcida adversária lotando a arquibancada, não para decepcioná-los, mas era como se fosse para instigar um espetáculo mais curioso, apresentar ineditismo de obra, a provocação da vaia era como se me colocassem uma carta secreta na manga, ser provocado sendo o artista principal chega próximo ao orgasmo cósmico. Enquanto a maioria quer o aconchego da presença materna e os aplausos ovacionados de pé, eu sempre pensarei como mais próximo a honestidade da verdade humana o exército de inimigos toscos querendo covardemente lhe arremessar no desfiladeiro e tendo a certeza que nada podem se eu sei o que há dentro de mim, o inimigo real, diferente da voz que proclama purezas mas que esconde raiva, inveja ou desonestidade intelectual, estes não formam o estigma de um eu em nenhum tempo, estes se amarram em seus próprios atos, suas palavras são grãos de areia neste mundo, ninguém vai perceber.
Evidente que queremos reconhecimento, eu também desejo, mas ao mesmo tempo este problema psicológico me ataca e o prêmio se torna um constrangimento, é como se eu só me achasse digno de defender minha verdade diante dos acusadores, aquele que me elogia, portanto, me derrota num ato displicente como quando um golpe acerta e você apaga nocauteado, assim como Aquiles e o seu tendão; enquanto a maioria quer construir a fama através da falsa voz que infla a insegurança humana, eu diante da glória duvido, apenas duvido de que possa realmente o homem ser construído e permanecer, diante da inolvidável futilidade de sua existência.

Diego Marcell

10-9-14

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