A
noção de próximo como conceito puro não existe, o ser humano não passa de um cão
vira-lata para o ser humano, só importam as representações do outro que
condizem com o referenciador, ou então
a beleza, imanência da natureza que permite a este referenciador a valoração destituída de conceitos previamente
marcados, por isso a imagem do outro é a que carrega o maior peso de valoração
sem dar mérito pessoal ou sociocultural a nada, sendo a natureza a responsável segundo
parâmetros racionais, que também é causa natural, neste caso duas causas
naturais causam fenômenos socioculturais de valores, negativos e positivos.
Prender
a imagem real do outro sob formas alteradas, destitui a representação de
valores intelectuais pessoais do mesmo, deixando tais valores ao referenciador que terá na referencia
(imagem do outro) a autorreferencia para obter contemplação, não a
autorreferencia do referenciador, mas
da referencia, esta na verdade é manipulação do artista que cria a ilusão através
dos objetos físicos e digitais, opção de enquadramento e acaso de tal
autorreferencia, aqui natural e sociocultural criam outra simbiose, no
pós-arte, que é a apreensão do casual.
Na
opção pb em registrar pessoas é por
subtrair referenciais além da forma e da textura, e dar homogeneidade ao quadro
e à referencia. O mesmo se aplica aos registros urbanos, mas neste caso a questão
do acaso alcança seu ápice, aqui reside o grande motivo deste conceito,
apreender o que a vida causou, ainda mais a vida urbana, com seus concretos e inumeráveis
objetos de consumo, estes sendo os pinceis e as tintas e o Acaso da sociedade o
artista contemporâneo. As camadas que se formam nas ruas, o café sobre o
chicletes sob a borracha da freada coberta de areia, esta composição de
materiais que rompem os limites tornando tudo arqueologia urbana, mas até esta
arqueologia convive com a efemeridade que sem solução é imanência das cidades. Este
motor orgânico e artificial que trabalha para fins contextuais, mas deixa um
rastro esquecido por todos, e este rastro é o que eu chamo de Arte.
Nos
registros coloridos é justamente a cor que importa, e somente ela sob
influencias geométricas e sendo a origem da luz a questão casual. Nas texturas,
não importam muito as fontes, mas sim o que a textura gera, qual a profundidade
que os acasos de origens de luz permitiu na hora de compor o quadro.
Diego Marcell
07/11/2013
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