14.7.15

Para uma exposição fotográfica


            A noção de próximo como conceito puro não existe, o ser humano não passa de um cão vira-lata para o ser humano, só importam as representações do outro que condizem com o referenciador, ou então a beleza, imanência da natureza que permite a este referenciador a valoração destituída de conceitos previamente marcados, por isso a imagem do outro é a que carrega o maior peso de valoração sem dar mérito pessoal ou sociocultural a nada, sendo a natureza a responsável segundo parâmetros racionais, que também é causa natural, neste caso duas causas naturais causam fenômenos socioculturais de valores, negativos e positivos.
            Prender a imagem real do outro sob formas alteradas, destitui a representação de valores intelectuais pessoais do mesmo, deixando tais valores ao referenciador que terá na referencia (imagem do outro) a autorreferencia para obter contemplação, não a autorreferencia do referenciador, mas da referencia, esta na verdade é manipulação do artista que cria a ilusão através dos objetos físicos e digitais, opção de enquadramento e acaso de tal autorreferencia, aqui natural e sociocultural criam outra simbiose, no pós-arte, que é a apreensão do casual.
            Na opção pb em registrar pessoas é por subtrair referenciais além da forma e da textura, e dar homogeneidade ao quadro e à referencia. O mesmo se aplica aos registros urbanos, mas neste caso a questão do acaso alcança seu ápice, aqui reside o grande motivo deste conceito, apreender o que a vida causou, ainda mais a vida urbana, com seus concretos e inumeráveis objetos de consumo, estes sendo os pinceis e as tintas e o Acaso da sociedade o artista contemporâneo. As camadas que se formam nas ruas, o café sobre o chicletes sob a borracha da freada coberta de areia, esta composição de materiais que rompem os limites tornando tudo arqueologia urbana, mas até esta arqueologia convive com a efemeridade que sem solução é imanência das cidades. Este motor orgânico e artificial que trabalha para fins contextuais, mas deixa um rastro esquecido por todos, e este rastro é o que eu chamo de Arte.
            Nos registros coloridos é justamente a cor que importa, e somente ela sob influencias geométricas e sendo a origem da luz a questão casual. Nas texturas, não importam muito as fontes, mas sim o que a textura gera, qual a profundidade que os acasos de origens de luz permitiu na hora de compor o quadro.

Diego Marcell

07/11/2013

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