21.8.17



Vejo minha trajetória de vida como um rápido desenvolvimento racional, eliminar os mitos, as ideologias, os valores; em questão tempos espaçados para cada fase a ser desconstruída, percebe-se que o fato de adentrar numa vida tal foi para aprofundar-me naquilo que tanto enreda pessoas, e você percebe que do mito à ideologia e assim por diante diminuem o numero de integrantes, então natural seria que por qualquer lapso o mito fizesse sentido não como tradição, mas como experiência de desmistificação; assim processei aquela vida racionalmente, a cada nova experiência os conflitos que iam de encontro à razão que nunca me permitiram uma entrega como substituto de questões psicológicas (por mais que possam ter ocorrido), assim também as ideologias vividas, mas nunca entregue ao ideal, sempre extraindo a razão de um eu que me responde muito mais pelas sensibilidades de um corpo não separado. Enquanto isso vejo pessoas perderem muito tempo em todas essas etapas, sem saber exatamente as razões, os processos se mostram lentos demais, atravancando o momento em que já pudéssemos falar de valores. Passam-se gerações quando poderia se viver tudo numa mesma vida. Viver o mito religioso, exercitar-se na ideologia, testar os valores, e mudar diariamente; isso tem acelerado pelo acesso a informação, mas a relutância ainda predomina, é o medo que ainda às toma, os valores ainda às sustentam, porque se uns estudaram em boas escolas a ponto de nunca terem precisado crer nos enredamentos mais fáceis como das religiões mais mitológicas, em compensação, não foram criados sem certos valores como os financeiros ou os da família, sem os quais não foram capacitados para abdicar sem sofrerem a existência. Então existem esses que sempre se mantiveram estáveis numa linha média, pouco ousaram, com medo do inesperado, do ineditismo, com medo de não serem aptos àquilo e, portanto falharem, preservam alguns valores para que sua base não corra o risco da instabilidade. Mas ainda existem uns piores, que apesar de diplomados, vivem 40 anos se dizendo comunistas e ao final da vida se convertem à qualquer neopentecostalismo, ou seja, foi degenerando, ou melhor, mostra que nunca houve qualquer possibilidade reflexiva, foi se entregando ao mito pois sua existência já não suportava mais a realidade, que se manteve muito tempo pela benignidade material, mas que esta já insustentável pela corrupção do homem coletivo, tendeu este ser a salvação então pelo absurdo, pois não suportar leva a mente a buscar suas saídas, a razão já não é bem vinda, é uma espécie de sobrevivência do indivíduo, assim, se ele pensava sobre a condição da massa, ele teve sua única salvação em transformar-se ele mesmo em homem massa, é a metanoia salvífica do negador do indivíduo, da diferença, da liberdade e dos acasos propiciados por uma sociedade em que cada ser autônomo pode criar seus valores, que a chance de desestabilidade é tão alarmante que há o medo de ser ferido, se há tal medo, esse indivíduo tem problemas que não quer resolver, quer esconder, sua salvação assim seria a não existência de indivíduos, com os valores determinados que  lhe dão aceitabilidade, pois é um ser fraco, que numa luta franca proporcionada pela vida, para a vida, sua possível morte prematura o faz instintivamente se esconder em aspectos psicológicos. É preciso experimentar a vida testando os valores se és honesto como espécie, arriscar, o risco faz parte do processo de acaso, para que haja ineditismo. Como fenômeno seria o resultado de uma vida.

Diego Marcell
20 de agosto de 2017
Vida-performance

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