Vejo minha trajetória de vida como um rápido desenvolvimento
racional, eliminar os mitos, as ideologias, os valores; em questão tempos
espaçados para cada fase a ser desconstruída, percebe-se que o fato de adentrar
numa vida tal foi para aprofundar-me naquilo que tanto enreda pessoas, e você
percebe que do mito à ideologia e assim por diante diminuem o numero de
integrantes, então natural seria que por qualquer lapso o mito fizesse sentido
não como tradição, mas como experiência de desmistificação; assim processei
aquela vida racionalmente, a cada nova experiência os conflitos que iam de
encontro à razão que nunca me permitiram uma entrega como substituto de
questões psicológicas (por mais que possam ter ocorrido), assim também as
ideologias vividas, mas nunca entregue ao ideal, sempre extraindo a razão de um
eu que me responde muito mais pelas sensibilidades de um corpo não separado. Enquanto
isso vejo pessoas perderem muito tempo em todas essas etapas, sem saber
exatamente as razões, os processos se mostram lentos demais, atravancando o
momento em que já pudéssemos falar de valores. Passam-se gerações quando
poderia se viver tudo numa mesma vida. Viver o mito religioso, exercitar-se na
ideologia, testar os valores, e mudar diariamente; isso tem acelerado pelo
acesso a informação, mas a relutância ainda predomina, é o medo que ainda às
toma, os valores ainda às sustentam, porque se uns estudaram em boas escolas a ponto
de nunca terem precisado crer nos enredamentos mais fáceis como das religiões
mais mitológicas, em compensação, não foram criados sem certos valores como os
financeiros ou os da família, sem os quais não foram capacitados para abdicar
sem sofrerem a existência. Então existem esses que sempre se mantiveram
estáveis numa linha média, pouco ousaram, com medo do inesperado, do
ineditismo, com medo de não serem aptos àquilo e, portanto falharem, preservam
alguns valores para que sua base não corra o risco da instabilidade. Mas ainda
existem uns piores, que apesar de diplomados, vivem 40 anos se dizendo
comunistas e ao final da vida se convertem à qualquer neopentecostalismo, ou
seja, foi degenerando, ou melhor, mostra que nunca houve qualquer possibilidade
reflexiva, foi se entregando ao mito pois sua existência já não suportava mais
a realidade, que se manteve muito tempo pela benignidade material, mas que esta
já insustentável pela corrupção do homem coletivo, tendeu este ser a salvação
então pelo absurdo, pois não suportar leva a mente a buscar suas saídas, a
razão já não é bem vinda, é uma espécie de sobrevivência do indivíduo, assim,
se ele pensava sobre a condição da massa, ele teve sua única salvação em
transformar-se ele mesmo em homem massa, é a metanoia salvífica do negador do
indivíduo, da diferença, da liberdade e dos acasos propiciados por uma
sociedade em que cada ser autônomo pode criar seus valores, que a chance de
desestabilidade é tão alarmante que há o medo de ser ferido, se há tal medo,
esse indivíduo tem problemas que não quer resolver, quer esconder, sua salvação
assim seria a não existência de indivíduos, com os valores determinados que lhe dão aceitabilidade, pois é um ser fraco,
que numa luta franca proporcionada pela vida, para a vida, sua possível morte prematura
o faz instintivamente se esconder em aspectos psicológicos. É preciso
experimentar a vida testando os valores se és honesto como espécie, arriscar, o
risco faz parte do processo de acaso, para que haja ineditismo. Como fenômeno
seria o resultado de uma vida.
Diego Marcell
20 de agosto de 2017
Vida-performance
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