Se
na idade-média a ligação com o invisível era mais evidente que o visível, e as
causas eram atribuídas a anjos e demônios mais que a seres humanos e que tudo
isto caiu à estaca zero com a praticidade do pensamento moderno que passou a
avaliar tudo segundo valores de compra e venda, transformando a matéria e também
as fontes naturais em simples utilitarismo a favor da burguesia?; quem nasce
hoje, pós-moderno, possui uma ligação totalmente diferente com a vida, já é
preciso um sentido maior que o valor material de posse no dia de hoje, porém, já
não há espaço para as ilusões fantásticas e fanáticas da idade-média, sendo que
a criticidade tende a evoluir
enquanto seja possível provar o irreal, porém, novas ilusões são criadas e
levam facilmente esta “nova galera” a velhos símbolos em nova roupagem.
Se
o sagrado era manifesto no externo de toda ação, na idade-moderna ela se
secularizou e hoje se faz a interiorização da santidade na naturalidade da
exteriorização profana, este profano que já não existe. Se na modernidade houve
a separação de Estado e Igreja, na pós-modernidade há uma anulação de ambos, e
o que vale é o valor individual, ninguém mais precisa de intermediário, os
humanos são um com a natureza com o espírito que transcende os valores
materiais (este é um discurso vendido por grupos que se contradizem justamente
por em muitos casos serem a favor do intervencionismo do Estado), agora vale a
subjetividade do Cosmo e este espírito que lhe procede e talvez também o
preceda.
Hoje
a vitoria é individual, é a própria superação, o seu culto acontece entre você
e sua planta no 13º andar de um prédio da metrópole, quando sentado na posição
de lótus o mundo inala o incenso da Era de Aquários e tudo gira em busca de outra
compreensão, já não territorial, nem escolástica, nem cética, mas pluralista,
mesmo que este pluralismo seja meramente modinha e que a fundo não faça sentido
algum desenraizando tal objeto de seu contexto para tornar objeto morto, dando
a impressão que seu espírito paira no novo lugar, mas não.
A
ciência já não possui a verdade absoluta que ela roubou da Igreja, agora ela é
um objeto indiscutível, mas não totalitário, pois ela não consegue transcender
como os homens e as mulheres e a natureza, então a ciência deve a partir de
agora agir como auxiliadora da renovação e reestruturação do planeta, já que o
futuro a nós pertence, que é o hoje, assim pensa esta geração pluralista e
rasa.
Diego Marcell
11-05-11
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