29.1.14

A troca de valor religioso para o cético material para o eco-transcendente


            Se na idade-média a ligação com o invisível era mais evidente que o visível, e as causas eram atribuídas a anjos e demônios mais que a seres humanos e que tudo isto caiu à estaca zero com a praticidade do pensamento moderno que passou a avaliar tudo segundo valores de compra e venda, transformando a matéria e também as fontes naturais em simples utilitarismo a favor da burguesia?; quem nasce hoje, pós-moderno, possui uma ligação totalmente diferente com a vida, já é preciso um sentido maior que o valor material de posse no dia de hoje, porém, já não há espaço para as ilusões fantásticas e fanáticas da idade-média, sendo que a criticidade tende a evoluir enquanto seja possível provar o irreal, porém, novas ilusões são criadas e levam facilmente esta “nova galera” a velhos símbolos em nova roupagem.
            Se o sagrado era manifesto no externo de toda ação, na idade-moderna ela se secularizou e hoje se faz a interiorização da santidade na naturalidade da exteriorização profana, este profano que já não existe. Se na modernidade houve a separação de Estado e Igreja, na pós-modernidade há uma anulação de ambos, e o que vale é o valor individual, ninguém mais precisa de intermediário, os humanos são um com a natureza com o espírito que transcende os valores materiais (este é um discurso vendido por grupos que se contradizem justamente por em muitos casos serem a favor do intervencionismo do Estado), agora vale a subjetividade do Cosmo e este espírito que lhe procede e talvez também o preceda.
            Hoje a vitoria é individual, é a própria superação, o seu culto acontece entre você e sua planta no 13º andar de um prédio da metrópole, quando sentado na posição de lótus o mundo inala o incenso da Era de Aquários e tudo gira em busca de outra compreensão, já não territorial, nem escolástica, nem cética, mas pluralista, mesmo que este pluralismo seja meramente modinha e que a fundo não faça sentido algum desenraizando tal objeto de seu contexto para tornar objeto morto, dando a impressão que seu espírito paira no novo lugar, mas não.
            A ciência já não possui a verdade absoluta que ela roubou da Igreja, agora ela é um objeto indiscutível, mas não totalitário, pois ela não consegue transcender como os homens e as mulheres e a natureza, então a ciência deve a partir de agora agir como auxiliadora da renovação e reestruturação do planeta, já que o futuro a nós pertence, que é o hoje, assim pensa esta geração pluralista e rasa.

Diego Marcell

11-05-11

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