Me formei em
teologia para negar a teologia, hoje estudando a arte só consigo negá-la. Nada me
atrai, nada possui valor nem ao menos artístico; é claro que não falo, muito
menos penso como estes ignorantes a passear pelo museu, que comparam as obras
com seus desenhos caseiros e seus acasos amadores. Como em todas as áreas,
sinto-me apenas em transição, não estou em nenhum dos lados, os fanáticos da
esquerda me acusam de ignorante, em cima do muro, é que não possuo paixões como
estes cegos. Os da direita me acusam de comunista, ainda mais afirmado pela
minha barba, mas não sabem nada sobre mim, como saber algo de quem não se
reconhece, seja admirando os clássicos ou os contemporâneos?
Esta
valorização do artesanato regional elevado à arte, ou os impressionistas como gênios,
nada me convence, assim como as crianças gritando nos museus, ou a ‘ralé’
estragando a paisagem (atenção que como ralé não me refiro a classe social, mas
a educação, a maneiras comportamentais).
Tenho
por natureza a ser atraído a outras questões, não a obra a ser contemplada, mas
o material bruto que apresenta textura, não as fotos, mas suas molduras; não o
significado das palavras, mas suas formas visuais, a fonte como expressão espacial;
ao mesmo tempo que só acredito no verso livre e não me aproximo de qualquer
semelhança parnasiana, a art deco me leva pelo seu cinza a um pré-niilismo, mato
os vampiros e deixo somente suas sombras e suas lendas como plano de fundo de
algo muito mais egóico.
Acabo
no museu sendo atraído pelo vídeo e repugno todo papel colado e picado. Luz e
matéria sempre dirão o tom e não mais precisamos cultuar algo, só o Nada é
digno de culto, e buscar no ser composto o Vazio é a meta dos novos distópicos.
A
pintura enquadrada é substituída pela imagem digital. Claro que ninguém mais
para em frente a uma obra, então que ela se mova e apresente o necessário,
saciando-a ante sua causa.
A
anti-arte substituiu a arte, mas hoje nem esta tem lugar e razão de ser, tudo é
copia, o erro está sobre o que diz ser original ou se denomina criador, a obra
ainda possível é o remix, não o sampler, não a versão, não o cover, não a
referencia, mas o remix, só o remix declarado é honesto, o resto é hipocrisia.
Diego Marcell
07-09-13
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