5.7.12

Cansei


Estou cansado das banalidades dos homens
Deste flerte mal feito com a vida,
Destes doentes mentais
Vestidos de intelectuais
Que entram nos sebos
E não gastam seu dinheiro
Só nossa alegria,
São burgueses? Mesquinhos? Hipócritas?
São doentes que contaminam a sanidade dos raros.
Assim como Jabor
Estou cansado das super-mulheres do Superpop
Corpo de maquina, cérebro de amendoim
Perna de zagueiro
E bunda de silicone.
Estou cansado da sobreposição de piadas
Da irreflexão das massas
Da tecla estourada da politicagem
Na “Brasílica” dos santos
Dos eternos
Dos intocáveis.
Estou cansado do meu cabelo
Que nem é liso
Nem enrolado.
Estou cansado do bla bla blá
Do excesso de conteúdo
Furado
Dos artigos e dos doutorados
Da falta de publico pro teatro.
Estou farto do grito agonizante do cinema
Das imagens na minha cabeça
Eu só quero o hiper-realismo
As luzes de um dia disfarçado
De cenas sem sentido
Numa esteira recheada de formas
Passam por mim
Gargalham e querem me ouvir gargalhar.
É a vida que resolve se ausentar
Da convenção humana
E me chama noutra dimensão
Ao onirísmo físico das psicodelias cósmicas
Das explosões de supernovas no céu
Da minha boca
Chicletes na minha língua
Vento na cara
E nada nas mãos.

Diego Marcell
24-04-2012

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