11.6.12

Ecumenismo latino-americano



         Grandes esperanças e/ou grandes promessas nos vem indicadas na teoria ecumênica latino-americana, ainda mais se olhamos para trás e vemos os congressos realizados e cremos que sejam reais a partir do dia seguinte, mas fato é que as ondas ecumênicas vão e vem e o mar cristão encerra seus peixes na areia, mais como um desenho alegórico do que uma ceia acompanhada de pão, vinho e mel.
         Toda iniciativa ecumênica é louvável, pois nela habita o retorno a essência do que seria a cristandade e também o que seria o reflexo ainda vivo da Igreja de Jesus, a igreja dos apóstolos, a igreja católica, que mesmo diferente, e isto é evidente desde sempre, desde a primeira comunidade se distinguindo da segunda, das variantes características das varias comunidades em uma única cidade, mas ainda sob da mesma “nomenclatura”, sendo tudo isso a Igreja e hoje já dividida por outros aspectos, menos relacionados as características pessoais e culturais, mas políticas; ainda assim a expressão continua a mesma, sendo cada instituição no máximo a pequena representação da Igreja Universal, tanto a manifestação da Católica Romana, da Luterana, da Calvinista, das pentecostais, cada uma em sua falha, na sua falsidade religiosa quando não reconhecer a unicidade da religião cristã ou na sua verdade quando aceitam a outra como parte da mesma religião, isso tudo envolvido nos credos que estão inerentes nas suas formações, até quando as representações mais ignorantes como as pentecostais em seu estado alienado de eclesiologia, mas sendo conscientes muitas vezes em suas elites acadêmicas.
         Respiram sem muito reverberar na sociedade religiosa os movimentos ecumênicos, mesmo que saibam que é preciso trazer ao povo ou que o povo precise fazer também o movimento, o povo é doutrinado somente pela ausência ou até pelo anti-ecumenismo das igrejas locais que mesmo dentro daquelas pertencentes às federações ecumênicas, em seus espaços restritos nada revelam a respeito. Ecumenismo é palavra desconhecida pelos interiores do Brasil, salvo locais de atuação evidente.
         É preciso levar a membresia ao conhecimento da ecumene, do habitar no todo desta expressão que será então atuação dos membros que muitas vezes lhes tem tirado o principio desta integralidade mesmo que não saibam explicitamente do que se trata. Aí poderão ser expostas novas atuações neste sentido nas localidades, nas regiões, nos interiores de acordo com suas necessidades reconhecidas por seus atuantes, tirada a exclusividade (não desejada) dos representantes das instituições e levado às comunidades o conhecimento basal que permita ao menos, ela poder atuar contextualmente e passar a existir realmente um ecumenismo na sociedade, ou seja, além-teórico.
         Outro ponto fundamental que seja talvez a maior evidencia da falta de progresso nos movimentos ecumênicos é o fato de que a quase um século de dialogo, de debates, de congressos, de produções, ainda é uma ideia vaga que manejam e que transcorrem pelos temas nos esporádicos anos de conversação que são feitos os congressos, seus documentos que ora trazem relevâncias pontuais, ora trazem banalidades, mas que na grande maioria trazem repetições que veem se arrastando pelos anos 30, que foi efusivo nos 60 e 70, mas que parece arcaico nos 2000, por não ter descoberto o viés que levaria a efetividade da globalização desta mensagem. Parece que fica na mão das igrejas históricas a única tentativa de dialogar por um futuro manifesto; pois às vezes há alguma abertura, mas que logo é fechada no catolicismo, e há o grande preconceito por parte das igrejas pentecostais, mas o fator mais desordenador ainda é o anti-catolicismo e o anti-protestantismo que resultam da falta de visão limpa do ideário ecumênico.
         Com todos os esforços que se arrastam pelos cantos onde atuam estes movimentos, as suas manifestações regionais quase invisíveis perante a sociedade e sua atuação ampla, mas teórica, e apesar de habitar a ideia principal da Igreja de Jesus, o mesmo parece impossível de qualquer sucesso num futuro, pois desde muito tempo a política tem tomado a religião e o interesse sempre existirá onde políticos estejam mexendo com religião, fica claro que o altruísmo institucional é uma maneira de decretar falência e mesmo que alguns estejam lá de boa vontade, este todo sonhado por quem pensa Igreja recai para a pequena participação da vida religiosa. O ecumenismo é uma tentativa utópica que deve ser sonhada para que respire um ar puro na amplitude poluída, mas é preciso ainda mais se quer imaginar um passo adiante nesta caminhada, é preciso encontrar a linha que junta a causa para ser mais que teoria e que possa verdadeiramente abranger mais comunidades, mesmo que as mesmas não se juntem a causa, a luta estaria fundamentada num discurso real e possível de futuro e de agregações conscientes e portanto duráveis.
Diego Marcell
11-06-2012

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