Cada época com suas culturas e modos de vida têm a religião que
se adéqua, se Max Weber extraiu o nascimento do capitalismo vindo com o
nascimento da religião calvinista; como encontrar uma religião apenas, numa
época tão pluralista como a atual? Se tratarmos apenas do cristianismo já
teremos assunto de sobra para discutir numa miscelânea que se anulam mesmo
defendendo um deus com o mesmo nome.
O neopentecostalismo foi a representação mais forte deste
fim de século XX quando trouxe novas formas de interpretação que corroboram ao
sentimento temporal da sociedade, quando esta se apresenta consumidora de
enlatados estadunidenses, seja no mercado, nas ruas, no cinema, na tevê, e por
que não na religião? O terceiro mundo com sua falta de estrutura educacional
abraça com cega paixão e sufoca qualquer produto importado até transforma-lo em
luxo/lixo fundamental para o consumo desmedido. Já dizia aquele velho clichê teológico
cristão que a teologia nascia na Alemanha, morria nos Estados Unidos e
apodrecia no Brasil. Este reflexo da má interpretação cultural típica do
terceiro mundo, principalmente o de colonização portuguesa na América, em que o
índio passa a desejar o espelho sendo que nunca foi narciso na própria terra,
no rio, no lago, no mar, com a própria matéria prima, dês daquele tempo nós
aprendemos a nos desvalorizar e a invejarmos o pop e o descartável, assim os
neopentecostais brasileiros conseguiram com os livros de liderança e auto-ajuda
atrair essa massa sem esperança numa esperança pro agora que só era dada por
uma religião semi-nacional como são as afro-brasileiras, mas que devido ao gênero
underground que elas possuíam perante a sociedade católica de um Jesus loiro
que não aceitava oficialmente como correto o que vinha de baixo. Mas o
neopentecostalismo podia agora suplantar católicos e as religiões afro sendo
ambas, vestido de discursos de riquezas e milagres com um deus católico, porém
um pouco menos loiro e sem olhos azuis no sincretismo do querer e do poder de
ter o deus na mão, o pai de santo agora é pastor, convertido, lavado e remido
no sangue que mais vem dando lucro.
Para isto aqueles que nasceram com o capitalismo e foram
parte inerente dele, agora já não carregam a soberania ética de sua teologia
numa cultura tão aberta e globalizada, de respostas rápidas e desejos novos e saciáveis
e disponíveis aos próximos desejos que gerarão novos prazeres efêmeros, vê-se a
decadência do protestantismo histórico em igrejinhas vazias numa pregação
eternamente igual e parada no inicio da modernidade.
O cristianismo do século XXI que já tende a não ser só ou tão
neopentecostal, mas aderindo a cultura ou a pequenas culturas contemporâneas e
urbanas, abre espaço a maior segmentação em núcleos menores, mas que se
assemelham pela mesma busca de saciedade dos fiéis com adendos característicos dos
pequenos grupos que querem também usar da fé cristã, assim é com surfistas, com
roqueiros, com gays, com rappers, entre outros. No popular se chamam
evangélicos, mas sabe-se que em muito se diferem em si, tanto quanto o catolicismo
de um pentecostalismo clássico, mas todos são ou foram expressões do
cristianismo na cultura de seu tempo, alguns permanecem como fantasmas sociais,
com seus templos as moscas, outros nem nasceram e já estão gerando dissidentes,
que é outra característica da velocidade e da facilidade pós-moderna hedonista.
Diego Marcell
28-5-2012
Nenhum comentário:
Postar um comentário