28.5.12

Faces do cristianismo numa cultura



         Cada época com suas culturas e modos de vida têm a religião que se adéqua, se Max Weber extraiu o nascimento do capitalismo vindo com o nascimento da religião calvinista; como encontrar uma religião apenas, numa época tão pluralista como a atual? Se tratarmos apenas do cristianismo já teremos assunto de sobra para discutir numa miscelânea que se anulam mesmo defendendo um deus com o mesmo nome.  
         O neopentecostalismo foi a representação mais forte deste fim de século XX quando trouxe novas formas de interpretação que corroboram ao sentimento temporal da sociedade, quando esta se apresenta consumidora de enlatados estadunidenses, seja no mercado, nas ruas, no cinema, na tevê, e por que não na religião? O terceiro mundo com sua falta de estrutura educacional abraça com cega paixão e sufoca qualquer produto importado até transforma-lo em luxo/lixo fundamental para o consumo desmedido. Já dizia aquele velho clichê teológico cristão que a teologia nascia na Alemanha, morria nos Estados Unidos e apodrecia no Brasil. Este reflexo da má interpretação cultural típica do terceiro mundo, principalmente o de colonização portuguesa na América, em que o índio passa a desejar o espelho sendo que nunca foi narciso na própria terra, no rio, no lago, no mar, com a própria matéria prima, dês daquele tempo nós aprendemos a nos desvalorizar e a invejarmos o pop e o descartável, assim os neopentecostais brasileiros conseguiram com os livros de liderança e auto-ajuda atrair essa massa sem esperança numa esperança pro agora que só era dada por uma religião semi-nacional como são as afro-brasileiras, mas que devido ao gênero underground que elas possuíam perante a sociedade católica de um Jesus loiro que não aceitava oficialmente como correto o que vinha de baixo. Mas o neopentecostalismo podia agora suplantar católicos e as religiões afro sendo ambas, vestido de discursos de riquezas e milagres com um deus católico, porém um pouco menos loiro e sem olhos azuis no sincretismo do querer e do poder de ter o deus na mão, o pai de santo agora é pastor, convertido, lavado e remido no sangue que mais vem dando lucro.
         Para isto aqueles que nasceram com o capitalismo e foram parte inerente dele, agora já não carregam a soberania ética de sua teologia numa cultura tão aberta e globalizada, de respostas rápidas e desejos novos e saciáveis e disponíveis aos próximos desejos que gerarão novos prazeres efêmeros, vê-se a decadência do protestantismo histórico em igrejinhas vazias numa pregação eternamente igual e parada no inicio da modernidade.
         O cristianismo do século XXI que já tende a não ser só ou tão neopentecostal, mas aderindo a cultura ou a pequenas culturas contemporâneas e urbanas, abre espaço a maior segmentação em núcleos menores, mas que se assemelham pela mesma busca de saciedade dos fiéis com adendos característicos dos pequenos grupos que querem também usar da fé cristã, assim é com surfistas, com roqueiros, com gays, com rappers, entre outros. No popular se chamam evangélicos, mas sabe-se que em muito se diferem em si, tanto quanto o catolicismo de um pentecostalismo clássico, mas todos são ou foram expressões do cristianismo na cultura de seu tempo, alguns permanecem como fantasmas sociais, com seus templos as moscas, outros nem nasceram e já estão gerando dissidentes, que é outra característica da velocidade e da facilidade pós-moderna hedonista.

Diego Marcell
28-5-2012

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