21.4.12

Curitiba num feriado


Curitiba brota despretensiosa num feriado
Brotam seus prédios mais velhos a lembrar minha idade.
 Amanhece úmida como toda Curitiba,
Quis ser poeta antes de nascer,
Mas ficou num protótipo mal iluminado
Pelo leminskiano devir surrupiado.
Vejo janelas como olhos cegos.
Tenho inveja dos ressaquiados
Porque eles têm histórias para contar nos feriados.
Curitiba é minha ferida mal cicatrizada
Que febriliza minha criatividade toda vez que não encontro ninguém.
Já faz um ano que seu mistério se escondeu,
Se escondeu atrás da vida comum,
Mudaram seus ambientes de lugar,
Agora desconhecidos frequentam seus bares,
Sumiu o cinema e a música eletrônica,
Desligaram a guitarra elétrica.
Curitiba não tem cacife pra cosmopolitar
Não tem talento pra Nova York já que dorme nos feriados.

Diego Marcell
21-04-2012

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