Curitiba
brota despretensiosa num feriado
Brotam
seus prédios mais velhos a lembrar minha idade.
Amanhece úmida como toda Curitiba,
Quis
ser poeta antes de nascer,
Mas
ficou num protótipo mal iluminado
Pelo
leminskiano devir surrupiado.
Vejo
janelas como olhos cegos.
Tenho
inveja dos ressaquiados
Porque
eles têm histórias para contar nos feriados.
Curitiba
é minha ferida mal cicatrizada
Que
febriliza minha criatividade toda vez
que não encontro ninguém.
Já
faz um ano que seu mistério se escondeu,
Se
escondeu atrás da vida comum,
Mudaram
seus ambientes de lugar,
Agora
desconhecidos frequentam seus bares,
Sumiu
o cinema e a música eletrônica,
Desligaram
a guitarra elétrica.
Curitiba
não tem cacife pra cosmopolitar
Não
tem talento pra Nova York já que dorme nos feriados.
Diego
Marcell
21-04-2012
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