Se Bonhoeffer disse que no futuro o
cristianismo precisaria encontrar uma nova forma de Deus que fosse
representativa na realidade do tempo, creio que hoje nossos valores chegaram ao
período predito por Nietzsche, de que haveria da arte substituir a religião, no
sentido do que a religião significava até a idade-média, a arte mesmo
intrincada à nossa historia, sempre careceu de mutação ao banal social, mas
hoje ela chegou neste patamar, que tanto é péssimo a arte como lha coloca em
seu mais alto significado, talvez se assemelhando aos valores nela que existiam
quando esta era mesclada a religião pré-histórica com as estatuetas de Venus ou
da idade-média e suas igrejas e santos, agora porém, solitária se vê maior,
ultrapassando a si mesma, pois é apenas ela e a sociedade e não mais a religião
com ela sobre a sociedade.
Numa cronologia sem importância vemos a
superação máxima e temporal da arte consigo mesma a partir do Dadaísmo, de
alguns pontos do Expressionismo Abstrato, da Pop Art até transpormos a
modernidade no momento dos artistas performáticos e da Videoarte, onde só o
conceito poderia habitar no ato e este em qualquer plataforma, levando para si,
para esta nova Era de igualdades o teatro, a música, o cinema, a pintura.
O terceiro milênio nos apresenta novas
armas, novos pincéis e ainda não soubemos maneja-los de acordo com o tempo,
estamos pintando o vazio sobre a tela do tempo, com cores efêmeras e
pronunciando discursos em línguas incompreensíveis de terras inventadas para
satisfazer o desejo máximo do novo conceito que é a falta de conceito da
estética que se retirou de nós quando a corrompemos pela ignorância no uso das
ferramentas, pegamos o pincel enfiamos no anus da estética e matamos o belo (ou
melhor, a partir deste momento corrompemos o belo), apesar disso, sobre o
sangue que escorre do anus, tentamos pintar com novas cores escondendo o
vermelho e seu conceito em nome da liberdade, mas esta é a perda absoluta da
liberdade, sendo que o mundo pós-moderno respira a imagem, o conceito estético
é seu oxigênio, mas queremos fazer ao invés de contemplar nosso tempo, queremos
estuprar o tempo com rajadas do spray negro do chorume e botar na nova galeria
virtual a falta de conceito que há no feio, este que seria para esses novos
artistas/sociedade a arte total a destruição do conceito, sendo que do século XX
a única coisa que havia restado era o conceito.
As paredes nas ruas, as janelas nos
computadores, os flyers nos bares, todos me convidam para alguma coisa que não sei
o que é, a arte se transformou na propaganda, a arte serve para nos convidar a
lugar nenhum e no convite habita o espírito capitalista; o convite não é o fim
em si, a arte já não é mais o fim em si mesma, mas o capital e a fama, o
chorume, o fruto podre que Adão mordeu e largou no meio do jardim, o convite não
é o fim, mas convida para o fim, que é o feio, o conceito da antiestética, este
novo conceito que habita no lugar nenhum quer nossa alma, quer nos levar para o
estomago do grande peixe onde Jonas conseguiu sair após três dias, mas hoje, este
novo conceito quer nos manter eternamente neste escuro embaixo do abismo para
que sustentemos este nada, este feio que transgride os orifícios da arte ao não
saber manejar os materiais e por não conhecer o tempo em que se deve pintar
segundo a metafísica da Era.
Diego
Marcell
29-04-2012
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